Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Escrevi um poema para uma pessoa especial, não sei se ficou tão bacana, mas enfim, o que importa é a intenção. Não sei se a pessoa ficará chocada ou gostará, se achará estranho alguém escrever tudo isso ou se surtirá o efeito desejado, mas poetas tem sentimentos límpidos e puros, por mais estranho que isso possa se parecer e por isso que escrevem coisas que conseguem tocar no emocional dos outros. Então não vejam essas coisas como sensações diretas e sim como palavras guias para o sentimento que se quer elevar e se fazer sentir!

Bom, não quero ensinar ninguém a como se ler um poema (é preocupação da minha cabeça que ache isso piegas demais, é só meu jeito encabulado, enfim)

Ai vai!!!


Como se conquistar a pessoa amada



O que as pessoas querem na vida? Certezas, riquezas, proezas, belezas...

Em como tudo é tão efêmero, você nunca tem, de fato, razão de algo...

A dor vem e vai e as necessidades são saciadas, o dia vira noite...

A noite vira dia, há chuva e tempo seco, há doença e saúde...

E você no meio disso, apenas se concentra no que você quer/precisa...

O que as pessoas precisam, o que elas querem, talvez seja apenas um...

Único sentido de que algo seja eterno e perene e que nos queime...

Como uma pira primordial que arda em um instante por todos os momentos...

O que queremos em fim, por mim, é somente termos o que cause esse furor,

Que não mais adiante esconder, viemos todos a conhecer por seu nome: amor.

Aquela pessoa querida nos faça sentir as nuvens nos dedos dos pés,

Que nos dê ambrosia em seus beijos e espasmos em seus toques desejosos...

E no fim, se sentimo-nos dessa forma, apenas pensando em alguém...

Desejamos e queremos conquistar essa pessoa, o que é difícil para uns...

Fácil para outros, mas eu te digo, como você faz para alguém se apaixonar por ti...

Pegue essa pessoa pela mão, fale em seus ouvidos, olhe em seus olhos,

Ou apenas sutilmente declame de todo o seu ser os fatos verdadeiros do seu eu,

Peça para que ela feche os olhos e dessa forma, imagine a escuridão plena,

Depois disso, imagine como "faça-se a luz" uma pessoa iluminada surgindo,

Nesse lugar, parte da mente, comece a simplesmente descrever essa pessoa...

Diga-lhe que ela tem a princípio, uma aura que emana a distância felicidade,

Que quem pensa nela com querer se sente alegre e bobo, e sorri sem motivo,

Que essa pessoa é bela e boa, seu sorriso equivale a todos os risos do mundo,

Quando se pensa nela, seu coração bate em outro ritmo, em um canto secreto,

Como baleias que chamam por seus companheiros, mas acelerados e desejosos,

Essa pessoa tem forma e volume, ela anda e agita, ela tem seu jeito de toda querida,

Seu rosto é bonito, que transforma todas as tristezas em pontes para a felicidade,

Que consegue construir o mundo inteiro com as palavras tão mágicas por si só,

E que sua voz é um coro potente que varre o coração apaixonado de toda a mágoa,

Seus olhos são tão belos e formosos, convidativos e serelepes, assim mesmo,

Contendo o infinito dentro de si, e em cada parte, um pouco da eternidade,

Que sua boca é o portal dos céus, não bíblicos, mas míticos, onde tudo é pleno e bom,

Que quando essa pessoa tem um gesto, ele se escreve na história e você nota,

que quando ela tem uma opinião você escuta e espera e se importa como tem que se importar,

Que quando ela se sente triste você se entristece, e a chuva fica mais fria,

As nuvens mais cinzas e as coisas mais lentas e que por isso, você ganha forças,

Para tirar isso dela, por mais que custe sangue, suor e lágrimas, você cresce por ela,

Porque você se torna o que ela é para ti, porque você a endeusa, mas na forma que se deve,

Dignificando-a como ser vivo que lhe mexe com todas as emoções e pulsações,

E todas as sensações do seu corpo são únicas, e ela é esse Deus/Deusa alquimista,

E você se torna uno com ela, única bola de fogo perpétua explodindo no coração do firmamento,

Uma supernova que varre seu ser a cada instante e te propele a viver e a crescer,

Que gera raízes profundas naquela sensação de que a vida é pra ser vivida

E que a felicidade é algo tangível, é um estado de espírito, como um amor que se renova

Que como Fênix morre e das cinzas renasce mais belo e forte, e isso tem uma fonte,

Uma fonte e uma fronte, e qualidades, e defeitos que nem por isso estragam, apenas deixam

Muito mais interessante, imperfeito e tangível, como tudo no mundo deve ser, pra dar graça...

Pegue essa pessoa que você quer conquistar, e diga, que ela forme essa pessoa em mente,

Diga então que tudo isso e muito mais que ela viu, é uma visão que você já tem,

E finalmente, diga para ela, que é dessa forma que você a vê, que quem ela imaginou

e sentiu, e tremeu, e quis, é somente ela, e que dessa forma tão impossível, ela é tão querida,

Para alguém que nem se sabia que seria assim, e dessa forma, mais finalmente ainda,

Diga para essa pessoa que ninguém no mundo pode mentir uma coisa dessas, não há garantias,

E novamente, que o mundo é algo que passa e que todos nós queremos sentir essa coisa boa e perene,

Que se ela se sente mal as vezes, que se sente horrível e só como todos no mundo,

Que há dúvidas e coisas perambulando na cabeça dela como de todo o ser humano, e que isso tudo,

Todas essas coisas maravilhosas que alguém pode sentir por outrem, nascem de si para ela,

Que ela feche novamente esses olhos infinitos mesmo sem saber, mesmo finitos no espaço/tempo,

E que veja, olhando nos seus olhos, a mesma imagem estando eles abertos ou cerrados,

A mesma imagem que ela criou para si sobre si mesma, espelhada em você, pessoa apaixonada,

E bendita seja se ela não ver, pois isso acontece, e bendita seja se ver, pois isso acontece,

Abrace-a, beije-a e uma infinidade de outras "-a", e sabedoria acima de tudo,

Pois toda linha plana, tem uma paralela, um eixo, fica côncava e convexa e um dia acaba,

Que seja o dia que tiver que acabar, que dure o quanto a vida for ou o quanto a paixão queime,

Que seja um fogo que nem o de estrelas com bilhões de anos de vida em explosões atômicas impensáveis,

Que seja um fogo como o de um simples fósforo, nem daquele que teimamos deixar queimar até sentirmos nos dedos,

O quanto é quente a teimosia de prolongar algo curto, e se for, é outra história.

No final de tudo o que escrevi, queira eu te lembrar, que escritor também é gente, e poeta, amante,

Que escrevi esse cantico delirante para alguém tão importante. Se for pra ti, eu te digo,

Se ficar tão impressionada comigo, ao viajar em tudo o que eu disse, pare e pense, e feche os olhos,

Nem que eu não esteja em sua frente, pare e pense, como eu ficaria se fosse isso,

Que sua mente pode imaginar, que seu corpo pode tocar, que seu eu pode querer, que seu coração queira amar.




(quanto ao Blog, é natal, sei lá, se pá escrevo alguma coisa em breve, mas ando meio desanimado e quero que as coisas em que ando trabalhando andem um pouco para ver se acontece alguma coisa bacana, mas enfim, fiquem com uma música bonita ai :-D )



Sábado, Outubro 03, 2009

O Sentido da Vida


- Monty Python e o Sentido da vida! Não, não é review desse filme!!!


Vamos parar um pouco por um momento e supor algumas coisas. Mesmo que, no final, sejam coisas muito difíceis e até quase impossíveis de se levar a sério ou até como fatos plausíveis. Acho necessário termos esse tipo de pensamento vez ou outra, além da borda da compreensão humana do possível para melhor repensar e redefinir muitas coisas que hoje em dia são tabus para qualquer um de afirmar ou até mesmo dizer que de fato são alternativas viáveis.


Vamos fechar os olhos e assumir, por um momento, que é possível para os seres humanos encontrarem todas as respostas do universo. Pensem que homens e mulheres podem estar juntos por todo o globo em harmonia, e o mal na verdade não passa de uma questão de pontos de vista diferentes que acabam sendo corrompidos por inúmeros acontecimentos caóticos na existência de cada um.


Parece algo bem colorido e utópico, não? E é para ser.


Qual será, entretanto o sentido disso tudo, porque vivemos, porque existimos e porque fazemos essas mesmas perguntas sempre e sempre?


O ser humano é um bicho teimoso, que abre até um semelhante para entender o funcionamento de sua própria biologia. E usa isso para curar. E usa isso para matar. Mas usa isso para alguma finalidade.


Agora, olhamos para os céus, para os átomos, para o fundo do mar, para o fundo de nós mesmos, através de lentes, conceitos, cálculos e até das mais variadas rezas, apenas para nos encontrarmos triunfantes ante os mistérios do tudo e do todo.


Esse é meu post especial, petulante, arrogante e audaz que tenta dar uma resposta a pergunta acima, mesmo que ela, no fundo, seja irrespondível.


Big Bang a YHVH


- The Great Big Bang Boom!!! Clique para aumentar!


A humanidade acaba de nascer, tem seus períodos conturbados, forma aldeias globais que entram em guerra e evoluem, cada uma com suas idéias e cada uma tentando impor suas idéias sobre os outros, para dominar a razão e a certeza (além, é claro, de chances de viver bem e melhor, mas isso é outra coisa). E no meio disso tudo, surgiram inúmeros mitos para tentar por uma razão, um entendimento em tudo isso.

Vamos começar com a explicação científica.


BOOM! Toda a matéria do universo se junta em um único ponto, que depois vai formando átomos mais complexos, depois matéria simples, ai a gravidade presente no vácuo vai ligando essa matéria em grupos maiores, e nuvens de hélio e hidrogênio formam pesadas massas que começam a queimar componentes químicos, e são as estrelas, o restante das massas, sem energia o suficiente, acaba se agrupando em planetas, que não tem a mesma energia dos sóis, mas tem inúmeros outros elementos.


- Não confundir com ESSE Big Bang Theory!


A Terra era uma dessas massas, que orbitam próximas ao sol, mas tem certo equilíbrio gravitacional entre si. Entretanto uma grande massa acaba batendo na terra e a deslocando um pouco de sua posição, que seria ainda próxima demais do sol, parte dessa matéria que chocaria na Terra perderia velocidade e seria presa ao campo gravitacional do nosso planeta, virando a lua.


- Sistema Solar


A Terra ainda era muito quente, seus elementos eram pesados e nada poderia ter vida (acredito). Com o tempo, o núcleo de metal líquido da terra, gerou nosso campo magnético, o que protege o planeta de receber uma grande dose de radiação solar (tirando nas extremidades, nos pólos, onde parte dessa radiação é recebida e percebida como uma Aurora Boreal), com o tempo, a própria termo dinâmica fez a terra esfriar, enquanto os elementos iam se separando de forma mais distinta, formando céu, atmosfera, ar, mar, terra, crostas e etc. E uma temporada enorme de chuvas começou, permitindo as primeiras bactérias simples florescerem.


- Aurora Boreal


Os anos passam, os organismos se desenvolvem, viram animais marinhos que evoluem até saírem do mar, e ao mesmo tempo cria-se uma grande variedade de seres, os dinossauros nascem e morrem, e os mamíferos começam a se desenvolver, até que milhões de anos, os humanos têm o seu tempo, que é de cerca 50 mil anos atrás até hoje em dia e sabe se lá até quando irá durar.


- Evolução


Essa é a visão científica nua e crua, para a razão que estamos aqui. Claro, que é a criação, existe N outras teorias para mostrar como os humanos se desenvolveram como espécie e etc, mas para o que importa é isso aqui.


Veja que no meio tempo em que a humanidade nasceu até poder fazer todos esses cálculos, hipóteses, testes químicos, físicos e fotografar galáxias a gigalhões de quilômetros, ela teve que ir se virando como pode.


- Ron Pearlman em "A Guerra do Fogo"


No período em que os homens viviam nas cavernas, eles saíam para caçar e coletar alimentos, e eram expostos a todo o tipo de forças naturais, que dependendo de como ocorriam, poderiam determinar a refeição da tribo por dias. Era meio lógico que eles vissem esses elementos como coisas além de seu controle. Pense no primeiro homem que testemunhou um relâmpago gerar fogo em uma árvore, o fogo cujo calor poderia ser domesticado, aquecer as pessoas, amolecer alimentos muito duros, facilitar a vida, forjar metais e etc. Isso não seria algo suficientemente grande para prestar reverência? Claro, mas não é algo tão grandioso como uma força consciente que controla tudo isso. Zeus não mandava relâmpagos, atlas não segurava o céu e certamente, Athena não era a guardiã de todo esse conhecimento.


- O Olimpo grego


Mas era assim que as pessoas foram criando seus inúmeros mitos. Os nórdicos com a história de Odin e seus irmãos que criaram a terra do corpo de um gigante, os egípcios com Rá o Deus sol e etc. Budismo pregando o zen, assim como o hinduísmo prega a grande roda de reencarnações. Falaremos disso depois, mas vamos nos focar na história bíblica que domina grande parte do mundo ocidental e falar de Deus.



- Os muitos reinos na mitologia nórdica



DEUS



- Deus: sou mais o do Laerte



As doutrinas judaica-cristã-muçulmanas, dadas as devidas proporções, são baseadas em uma cultura monoteísta, de que um único deus onipotente, onisciente e onipresente rege o universo e todas as coisas.


Como a religião brasileira em grande maioria é católica, vamos falar um pouco dela. Nela, Deus criou do nada a Terra e em um lugar dela, se localizava o paraíso, Eva e Adão (sim, com trocadilho e tudo mais lol), lá moravam até que foram expulsos. Eles tiveram filhos e descendentes, que chegariam até Abraão, e depois até José, o pai de Jesus. Aqui os judeus falam que não valeu nada, que só os antigos testamentos que valiam alguma coisa, é mais ou menos o que acontece com Star Wars.


- YHVH, o "verdadeiro" nome de Deus


Enfim, depois que Cristo morreu (se existiu, eu até acho que existiu como pessoa, não como filho imaculado de um velho barbudo overpower), muitos de seus ensinamentos foram repassados por seus apóstolos para outras pessoas, e só algumas centenas de anos depois, passaram para tomos escritos.


Nessa mesma época, o líder do império romano (não me recordo o nome), estava pensando em adotar outra religião oficial para o povo seguir. Veja bem, o culto aos deuses era algo complicado. Se você sacrificasse um potro para Poseidon, para conseguir pescar peixes e eles não viessem (porque provavelmente pescaram demais até na época de reprodução sem saber disso, ou outra coisa), certamente deixaria de ter a mesma confiança nos deuses e isso poderia causar uma revolta contra o governo.


- Tetragramaton - Just don't ask


Então, quando ficou sabendo da doutrina cristã, que pregava que os sacrifícios deveriam ser feitos em vida, para serem pagos em uma posterior pós-vida, decidiram pregar essa nova religião para o povo ser mais facilmente manipulável. Diversos estudiosos se encontraram e discutiram como pregar, já que haviam vários evangelhos (cerca de mais ou menos 30!!!), e cada um tinha sua própria versão de vários fatos, então, desses 30, foram só escolhidos 4 para serem os principais a fazer parte da Bíblia Sagrada. Dentre os fatos escolhidos, alguns limaram Judas como aquele que mais entendia Jesus, para um vil e traiçoeiro apóstolo, ou o fato de Pôncio Pilatos simpatizar com Cristo, isentando os romanos ao lavar as mãos e jogando nas costas dos Judeus a morte do salvador (que sim, eram ostracizados por séculos antes dos nazistas).


- HELL YEAH!!!


Para espalhar mais facilmente, uma instituição paralela foi criada, com inúmeros monges, que foram estudando a palavra de Deus e ao mesmo tempo se fechando em templos, com uma regida estrutura. Esses, incumbidos de passar a palavra, seriam os primeiros padres da história.


E com isso acabou que a Igreja começou a criar um poder paralelo ao da coroa, e por anos a fio, por ela comandar o espírito vindouro do povo, ela seria um grande termômetro para reinos inteiros, que só proviam e comandavam no plano “material” e geralmente por terem o apoio divino já encaminhado (claro, que exércitos e poses de senhores feudais também ajudam). E depois de inquisições e tudo mais, é a religião mais importante para o ocidente.


- Romanos, sempre eles...



Espero que vejam que isso tem suma importância para mostrar que com o tempo, a religião e a ciência, a gênese da nossa criação, se tornou o principal ponto a respeito dessa questão de quem somos e o que deveríamos fazer com nossas vidas.


Sinceramente, a religião surgiu pra nos levar a tal caminho, que seria em tese uma harmonização com os nossos iguais, mas como podem ver, parecem querer ser outra força a dominar nossas idéias para proveito próprio.

É aquela coisa do ser humano sempre querer levar vantagem. Sinceramente, esse é um hábito do tempo das cavernas, onde físico avantajado era usado para dominar os mais fracos, só que é sempre usado de outra forma, tanto intelectual, quanto de posses ou qualquer outro sistema desses... Enfim, parece uma reclamação de rebelde se fazer, mas há um Q de opressão nisso...


- Comparações, clique para ampliar (a menos que tenha visão microscópica do Super Homem)


Por outro lado, a ciência vem construindo todas as suas teorias com bases empíricas, ou seja, a todo um método criado e elaborado para observar, testar e reproduzir qualquer coisa, a mínima que seja, que possa realmente dizer alguma coisa ou responder algum fato de um modo a caber totalmente em alguma via de entendimento. Entretanto, por outro lado, a ciência foi posta muito tempo como o contrário da religião, das coisas que não se podem ver ou se comprovar (ainda), e isso de fato não é algo muito bom, pois a própria capacidade de se intuir possibilidades além das conhecidas pela ciência (fora da teoria), deveria também ser levada em conta. Como de fato, até É para muitos cientistas.


Nesse ponto é bom salientar que cada uma tem algo a acrescentar, mas que nenhuma é suprema. Ninguém no fundo pode te dizer qual é o sentido da vida, principalmente da sua, porque o sentido da sua vida, é você quem faz!


O Óbvio é invisível


- Explosão muito louca para fins ilustrativos de encher linguiça visual


Olha pessoal, sei que tenho que falar mais para poder argumentar algo tão óbvio e vou seguir nisso, mas primeiramente, para entender o sentido da vida, vou falar como eu acho que a vida deveria ser vivida (ai entra a arrogância, pois qualquer um pode vir e dizer que sou metido por falar como as pessoas deveriam viver... mas...)

Primeiro, nós deveríamos começar a ter uma reflexão maior sobre a vida e sobre as coisas. O sentido que dou a palavra “philosophista”, do meu blog, não é para afirmar que eu sou um Filosofo, porra, eu não tenho diploma, mas nem é preciso, é só ter prazer, não só isso, mas enxergar a necessidade de aprender mais coisas para se usar na vida, e refletir é o primeiro passo. A reflexão te permite criar um espírito que lhe instigue a ir atrás das coisas, e isso é de vital importância para você se desenvolver como ser humano.


- Meditar é bom, mas você não precisa necessáriamente se tornar um zen-budista muito louco que fica uma semana na posição de lótus...


Essa seria a segunda coisa, o seu desenvolvimento humano. Com isso eu digo que é o ponto onde você toma parte na sociedade, perante seus familiares, amigos e iguais. A meu ver, nós precisamos evoluir, acho que lendo toda a história do universo as coisas têm evoluído desde o primeiro instante, se agrupando em coisas cada vez maiores. As estruturas se aglomeram e crescem a própria natureza é assim, o ponto de vista ateísta, puramente científico, chega a ser até ilógico, pois é algo empírico que ocorre esse ciclo de renovação e evolução desde sempre, e se estamos andando, para algum lugar iremos.


- Ilustração bacana a respeito da harmonia da vida


Então, nesse ponto, você deve aguçar sua mente, deve aprender bons modos e ter muito respeito pelo seu semelhante, aprender a viver em sociedade e a encarar as coisas da vida, as religiões podem ajudar nesse aspecto, a Bíblia é um ótimo livro, mas não é para ser levada ao ponto de que TUDO é verdadeiro e não pode ser questionado... E ao passo em que faz isso, também deve cuidar de sua saúde e daqueles que lhes são próximos, e tornar todas as pessoas, se possível, próximas a ti! Não é pregação gente, é só que a humanidade ta presa num circulo vicioso de ódio que é foda!


O que leva ao terceiro ponto, usar os outros dois para poder realmente trazer paz e harmonia para onde estiver. Não, isso não é Sailor Moon ou algo que usa a magia do amor para fazer o mundo brilhar, é simplesmente você ser solidário, nem que seja no nível mais simples de simplesmente conversar com seus amigos sobre isso e ajudá-los quando eles tiverem dúvidas. Essas coisas são muito simples, mas nem por isso deixam de ter seus fatores de complicação!


- Índice Mundial de Paz


Em suma, eu acho que esse ponto, de viver bem com os seus, sempre estar atento as suas próprias limitações, seus objetivos, não fazer mal a ninguém, aprender a dialogar e a aceitar idéias, consistem em um caminho sólido para a Felicidade, porque eu sinceramente acredito que ela exista, e seja um estado de plenitude na qual você consegue viver bem, é alegre e feliz, não é estagnado e se desenvolve, porque acho que isso, esse estado, é muito próximo do que é de fato entender a vida. É mais do que isso, não precisar de explicação, é fazer sua vida ter sentido, pois você simplesmente a vive!


Como eu disse no primeiro parágrafo, de parar e pensar que o ser humano pode responder tudo, vocês têm que ver que é só um fingimento e, de fato, nós nunca saberemos de tudo e ter em mente que isso é assim, que precisamos NÃO SABER de certas coisas e aceitar esse fato para podermos viver. Se certas questões terão respostas, é bem possível, e é muito possível que quando conseguirmos superar isso, nem seremos mais os mesmos humanos que somos hoje! (espero)


- Z


Notem amigos, que uma das ligas dessa nossa vida, é o sentimento de união que é o amor que escrevi no último post. É realmente um sentimento que eleva o homem e pode levá-lo a fazer maravilhas, além de ser parte da felicidade, é meio óbvio.


Uma pessoa sem amor, acredito eu, provavelmente não verá a vida com a mesma cor daquela que é amada, mesmo que não seja recíproco.


O Universo é complicado, apesar de eu ter dito o que penso sobre o sentido da vida. Sou arrogante, as pessoas podem dizer que sou metido a besta por conta disso, mas acredito que minha forma de pensar é a de uma pessoa que procura pela felicidade e a entende, e que quer passar isso para os outros. Buda reencarnaria na Terra sempre, para poder iluminar as novas gerações que nascem, para ensiná-las a fugir da roda de reencarnação (como os hindus crêem que você pode nascer como uma vaca, depois um cão, depois uma lagarta e etc, e alguns espíritas organizam isso como evolução espiritual, mas isso é outra coisa), você tem que ter um pensamento desse tamanho, de que vou utilizar o que eu sei para as pessoas que estão próximas, e se possível elevá-las de alguma forma, e se eu estiver errado, que alguém me mostre e que eu possa seguir nesse caminho, mas de uma forma plena, honesta e sincera, sem manipulação, sem nenhuma outra intenção que não seja a pura de ajudar aos nossos próximos como evoluir, crescer e viver nessa Terra, enquanto estamos nela!!!


- Caminho da Meditação. Para saber mais, leia aqui


Bom, acho que é isso, espero não ter sido muito óbvio nem fugido do tópico principal novamente!!! Principalmente, espero que as pessoas não me vejam como um puta arrogante que diz “eu sei das coisas”, porque eu SEI QUE QUASE NADA SEI! Mas é aquela coisa, estou jogando uma pedra no rio, quem quiser pode arremessar também, quiçá até para me acertar, mas se todos nós jogarmos pedras no mesmo lugar, continuamente, mais cedo ou mais tarde, um ponte natural vai aparecer para nos levar ao outro lado!


Abraço a todos! Gostaria de desejar um feliz aniversário aqui (não direi pra quem! Não lê mesmo o blog :-P) e dizer que na próxima atualização talvez fale um pouco mais dessa questão de Ciência e religião! Talvez eu tenha fugido um pouco do tema principal, mas de fato são elementos presentes em qualquer ponto sobre o sentido da vida!


No mais, felicidades amigos! Felicidades! :-D Fiquem com um sketch de Monty Phyton e o sentido da vida que a Raissa Hipnótica me mandou! :-D


Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Okay, fazia muito tempo que eu não escrevia para o Blog...


Para contar a verdade ando escrevendo algumas outras coisas, fazendo um projetos aqui e ali, então já viram como fica o tempo para se dedicar ao blog, ainda mais eu que gosto de escrever pra caraco...



Seguindo, eu gostaria de dizer que há uma grande chance de eu ir a 16ª Edição do Fest Comix que vai ter em Sampa em Outubro (nos dias 16, 17 e 18), então se alguém que ler isso aqui me ver, é só dar um oi... ou sei lá, tacar uma pedra na minha nuca por ser tão chato!!! Se for eu devo, talvez falar em um painel sobre estar escrevendo para O Cometa (HQ nacional), mais informações aqui, aqui ou aqui, mas aviso em todo o caso.


Bom, vamos ver, dessa vez eu gostaria de falar algumas coisas que me vieram à cabeça enquanto conversava com uma pessoa querida, a respeito daquilo que é o sentimento-mor dos seres humanos. Amor.


- Essa foto representa bem o flamejante coração dos enamorados...


É meio batido falar de amor, ainda mais depois que meu caro amigo Pedro Bahia, gravou um podcast em seu Diário Prático a respeito do tema (ta, tudo bem que é voltado para os quadrinhos, mas ainda sim é sobre a representação do sentimento), mas veja que eu não estou falando disso perto do abominável dia dos namorados. (Sim, não gosto dessa jogada comercial!!!



Quando a Filosofia concorda com a Genética


- Filosofia significa AMOR pela sabedoria...


Para começar, acho que a pergunta que vão me fazer é: o que diabo você pode me dizer a respeito de amor??? Quem é você para me dizer algo a respeito??? Então, só posso dizer que não sou ninguém, mesmo, de fato, se sou ninguém, é só você ignorar o que eu digo, mas se está a ler isso aqui, então deve ter um pouco de respeito pelo que eu penso. Dessa forma a gente começa com a premissa mais básica do amor, que cada um tem o seu.


Talvez o sentimento todo, apesar de tentarmos igualar com metáforas, poemas e etc, seja tão grandioso e difícil de descrever porque ele depende muito de nossas próprias noções a respeito do mesmo. Vamos voltar um pouco e olhar o básico.


- O homem como medida das coisas, a genética como medida do Homem


O amor é químico. Não somente químico, mas em grande parte, sim. Schopenhauer dizia que procuramos alguém que seja o oposto a nós mesmos para criar um equilíbrio em nossos filhos. Anos depois a genética sugeriu o mesmo, que pensamos e desejamos uma pessoa diferente para que nossa cria seja mais bem equilibrada. A boa aparência, a que atraí, é analisada mentalmente numa velocidade imensa, e a química de nosso cérebro calcula se esse ou aquele é um bom parceiro ou parceira biologicamente falando. A psicologia sugere que nós buscamos parceiros similares aos nossos pais, por termos neles os modelos iniciais de homem ou mulher. A química do sexo, do beijo, libera substâncias em nossos próprios cérebros que nos enlouquecem.


- Jovem Schopenhauer, todo galãzão de novela... Virou um tiozão bem loco...


Já dá para ver que existem muitas idéias a respeito disso, em um documentário da Discovery sobre o amor a gente percebe que tem muita coisa que não controlamos, o impulso todo é gerado para que nós, como seres humanos, nos sentirmos bem com aquela pessoa e depois de um tempo, copulemos com ela para gerar uma nova vida. Eu sempre achei essa abordagem científica enfadonha e simplesmente triste. Você não ama aquela pessoa porque ela sempre se lembra das músicas que você gosta, que te faz uma bela sopa se você está doente, ou que briga contigo quando esquece de avisá-la de alguma coisa e você só consegue ver as covinhas que aparecem na expressão zangada da pessoa em questão... Sabe, perde toda a mágica...


- A Fórmula do amor: A Rita Lee poderia mudar sua música para "Amor é Química, Sexo é Física"... É, melhor não...


Mas o que é de tão interessante na ciência, a meu ver, é que quanto mais ela explica, mais aparece para ser explicado, e é nessas pequenas incógnitas indecifráveis que toda a grandeza do que quer que seja em questão (no caso, esse sentimento), se ressalta. Afinal, não se explicam as loucuras por amor, o sacrifício que você faz, ou até mesmo o porquê dessas coisas acontecerem assim, nessa ordem. O próprio caos que move a nossa existência já dá um brilho saboroso a esse caldo.


Mas enfim, o ponto é que cada um tem suas próprias referências para olhar desse ou daquele modo para o amor. Em geral, todos nós sentimos reações iguais (a menos que você tenha algum desvio biológico, tipo, sei lá, ceratonina te cause dores de cabeça...), só que nos posicionamos de modo diferente em relação a isso (ta, é meio óbvio, além disso isso serve para tantas coisas, mas dá para ter isso em mente enquanto eu seguir), dessa forma o que eu falar a seguir, tenha em mente que é a forma que eu vejo. Talvez sejam novos olhares interessantes a respeito do amor, ou só merda, talvez sirvam para algo, ou para nada, mas enfim...


Amor em nós mesmos


- This is blasphemy, This is MADNESS!!!

- Madness? THIS IS PLATO!!!


Platão escreveu uma vez que o amor se dividia em quatro tipos de expressões desse mesmo sentimento, e parando para pensar, é uma divisão interessante que gostaria de compartilhar. Eros, que pra quem não sabe é o Deus grego do amor e também um personagem da Marvel, irmão do THANOS de Titã (Acho que usarei o exemplo do Thanos a seguir), que é um amor físico que temos por algo, uma paixão, um romance e um amor mais voltado para o parceiro. Pragma, que é um amor mais voltado para o benefício de se ligar a alguma coisa, é o lado mais egoísta do amor, no qual a pessoa se liga no que poderá receber em troca disso. Philia, que é um amor altruísta que você puramente se entrega sem pensar e que eu ligo muito a um amor familiar, que você sente por seus parentes próximos... por serem parentes próximos, oras... E Storge, que é aquele amor de amigo que você sente por alguma pessoa que lhe é muito cara, mas não necessariamente algo que você vai...


- Essa imagem não tem muito a ver com o assunto... Mas pqp, achei animal hahahaha


Tendo em vista esses tipos de amores, dá para se situar em diferentes momentos. DE que cada um é cada um. Sua paixão pelo seu (sua) namorado (a), aquele que tem por um hobby, esporte ou algo do tipo, aquele que sente por seus pequenos irmãos e pelos seus amigos, todos tem uma forma seleta, mas de todos eles, o que mais é focado e o que mais pode se perder o controle ou não saber o que fazer, é a paixão por outra pessoa.


(Para mais detalhes a respeito dessa divisão, procure O Banquete)


Voltando a Platão, vemos que há outro quesito a ser explorado a esse respeito, o amor platônico. Muitas pessoas acham que amor platônico significa um amor impossível de acontecer, pois tem relação com a teoria platônica do mundo das sombras e o mundo ideal. Explico: para Platão, esse mundo em que vivemos é o mundo das sombras, onde somos meros “reflexos” de outro mundo ideal, onde as coisas são fontes mais puras. O Amor platônico é algo puro, livre de necessidades, é uma entrega total e plena, o amor é uma falta que temos e procuramos no amado, a paixão seria um apego pelas sensações do mundo das sombras, o que nos apegamos para nos sentirmos bem por determinado momento e que depois, passa, por isso o amor seria um sentimento mais perene e a paixão, efêmera.


- A Culpa é da Genética, outro livrinho legal para se ler!


Acredito muito nisso, pois é o que já disse acima, Schoppenhauer e a Genética já disseram, que procuramos alguém para nos complementar, Platão disse isso como Falta, porque algo realmente nos falta. O ser humano não é um animal completo, afinal, senão, seriamos organismos que nos reproduziríamos por processo de meiose. Procuramos por alguma pessoa que nos complete, para termos filhos, mas não só isso. A vida não é só crescei e multiplicaivos, não mesmo, somos a soma de cada geração anterior e através de nossos filhos e netos (espero), iremos muito além, pois a vida é para ser vivida e sonhada e todo o seu imenso objetivo desconhecido, alcançado mesmo sem saber, e o amor é a extrapolação física e mental de sermos um único indivíduo.


- Troca altruísta, o amor não pode ser comprado... Já o pretenso amor...


O amor nos impele a tentar completarmos o nosso ser, mas isso é mais complicado do que parece, não é só como juntar dois pedaços de lego para montar algo. A meu ver, isso é como uma troca deve ser uma troca, só que altruísta você não pode exigir que alguém te ame, só porque você ama essa pessoa, talvez esperar, mas não exigir, pois o verdadeiro amor, como já disse é altruísta. Você simplesmente entrega seu amor, por isso ela é uma emoção tão forte, porque é desprendida, você não pode roubar o amor de alguém, se ele é algo externo a ela. É por isso que também temos o caso do amor platônico (erroneamente chamado assim, como eu disse), de alguém gostando de alguém de modo não recíproco.


- Hahaha, muito bom!!! Tirei essa aqui do site das Malvadas.


Em suma, você entrega seu amor para alguém, não espera que isso seja por alguma coisa, mas se a pessoa faz o mesmo, esse é o amor verdadeiro, essa sensação é a que arde no peito e que constrói e reconstrói a cada dia e é o que realmente é raro de se ver, pois é algo latente entre dois indivíduos que se unem para evoluírem como seres humanos e como par.


Amor: relação, traição e separação


- Mapa das relações... Confesso que não entendi Zorra Nenhuma lol


Relações humanas são complicadas, porque mesmo dentro do curto (relativamente falando), porém longo tempo de vida do ser humano há sempre o perigo de um “i” ficar sem pingo e isso fazer todo o castelo de cartas desmoronarem. Antigamente, o casamento era um contrato rígido, cujo interesse prático da coisa toda (criar alianças políticas, gerar herdeiros e ter uma “puta” pessoal), superava quaisquer interesses românticos.


- Sejam compreensivos, antes que qualquer discussão...


Pense bem, o pai de uma dama deveria permitir que um homem flertase com ela, se fosse de boa família e pudesse sustentá-la. Ai teriam visitas consentidas e vigiadas, um noivado e ai sim um casamento. Claro que isso do ponto de vista ocidental, ainda é assim em muitos lugares do mundo, mas enfim, isso é uma outra história.


... termine com um eterno basta...


Com o início da libertação sexual das mulheres (e relativamente dos homens, apesar deles irem em puteiros desde os templos bíblicos), e de ficarem cada vez mais independentes, a coisa mudou de figura. Não que os homens pararam de ir em puteiros, não isso, mas para casar, o homem não negociava com o pai ou com a família da mulher. Ela iria escolher quem ela queria, não precisaria ser virgem para agradar o marido e tudo mais, então a mulher ficaria com quem ela quisesse não necessariamente com um homem rico que a sustentasse (bom, a falecida Anne Nicole Smith discordaria de mim, mas), e com o passar do tempo isso se tornou uma possibilidade, de não precisar estar com alguém que você não goste. O amor passou a assumir essa posição, era a cola que ligava duas pessoas em uma relação, mas é uma visão errada, pois isso é relacionamento, que não precisa ter necessariamente amor no meio.


- É isso aí meninas! Vão queimando todos seus sutiãs até não terem mais nenhum... Er, lembrando que nem todas vocês precisam fazer isso, só as que tem tudo lá em cima...


Pode parecer uma obviedade, mas amor não é relacionamento, apesar de estarem ligadas intrinsecamente. Veja, você pode simplesmente amar uma pessoa de verdade, mas não dar certo você ficar com ela, por ser problemática por si só... Ou se dar hiper-bem com uma pessoa e não amá-la, não ter química ou aquele algo a mais.


Como disse acima, às vezes o amor não resiste a uma relação, e nem cabe a ela. No caso de uma pessoa que seja muito complicada se relacionar e isso ir minando o gosto de outrem pouco a pouco. Dizem que gostamos de alguém por suas qualidades, mas a amamos por seus defeitos. Eu até entendo isso, sério. Eu penso que esses defeitos conseguem ressaltar as qualidades, e ainda dão graça a coisa toda (além do fato da pessoa sempre achar que pode sanar a outra e a tornar melhor), mas as vezes, com o tempo, isso pode se tornar uma fissura.


Algumas imagens eu peguei deste site, Datingish... Que é todo dedicado as pessoas que terminaram um relacionamento recentemente...


Saber contornar isso é essencial, não vou dizer como fazer isso, porque simplesmente não sei. Até tenho idéia, pois é só sendo cuidadoso, atencioso e principalmente não sendo orgulhoso, é preciso aprender a entender a outra pessoa em outro nível, que é o que se espera quando você passa tanto tempo com alguém. Isso é o famoso DR (Discutir Relação), que muitos vêem como um tormento maior que canal e mais angustiante que esperar até sexta (Sei lá, fiquei sem metáfora), mas é necessário, assim como um carro precisa de manutenção e o motorista atento a qualquer irregularidade na estrada (opa, essa funcionou!!!).


O que qualquer pessoa pode achar mais terrível é a traição. Você dá confiança para alguém e essa pessoa vai ter algo com outra pelas suas costas. É horrível de se pensar nisso, pois é como se tudo o que você entregou não valesse tanto para essa outra pessoa que ela precise de outra(s) para se saciar. É fato que a maioria das mulheres teme mais que o homem a traia com algum sentimento por outra, e os homens sentem medo da mulher simplesmente traí-los por sexo, mas esses medos só refletem o que cada pessoa estaria procurando, ou acha essencial em si.


- Traição (agora sei como surgiram os Elefantes menores e bípedes de Babar)


Muitos homens, entretanto acreditam que a traição é algo natural e que eles devem mesmo ir navegar em novos mares, afinal cada espermatozóide é suficiente para engravidar uma mulher, e uma gozada só produz milhões... Sim, voltando a questão biológica o homem é feito para engravidar mais de uma mulher. Orangotangos tem testículos menores que a dos homens, por simplesmente dominarem o bando, e as fêmeas e não se preocupando tanto com concorrência genética, eles chegam nas Orangotangas, “tangam” com ela uma vezinha e essa já ta valendo. Já os Chimpanzés tem testículos bem maiores que os dos humanos, porque ninguém é de ninguém. Na época do acasalamento, uma chimpanzoa dá mais que periguete em baile funk proibidão, e vários Chimpanzés mergulham de cabeça no ato, para garantir que seus genes predominam. De fato, até descobriram uns tempos atrás uns espermas kamikazes, muito loucos, tipo umas porras assassinas feitas para destruírem qualquer outro tipo de esperma, para evitar que outros genes fertilizem a fêmea... Em suma, sim, o homem foi feito para ter múltiplos casos, mas isso é genética, também fomos feitos para matar quem nos desafie, mas nos dias de hoje isso dá cadeia e devemos nos superar.


- Sossegue Mário, você tem muito mais colhões que o Donkey Kong (bem, isso se o que serviu para Orangotangos, também servir para Gorilas lol)


Outro ponto sobre traição é o fato de que culturalmente quem está sendo enganado é a pessoa traída e não quem está traindo (sim, é aquele papo, mulher é traída, homem é chifrado). Mas a meu ver, quem está se enganado é quem vai pular a cerca. Se a pessoa quer variedade sexual, deve falar com a (o) parceira (o), ou então, se aquela pessoa não lhe oferece mais o que oferecia antes (lembrando que amor é entrega...), então deveria deixá-la. Se há algum problema que se precise ir consolar com outro alguém, deveria ser discutido, ainda mais se é só prazer sexual ou do ego sexual (o bom e velho: “to comendo uma por mês, mesmo casado, sou o garanhão de sempre”), a pessoa está apenas perdendo tempo em manter uma relação dessas... Para que? Costume? Que besteira! Se a pessoa lhe dá um abrigo, alguma outra coisa e você a traí e só permanece a ela por algum tipo de interesse, material ou não, você não só se converte em traidor, como em um grande aproveitador, e ai a história é outra...


- Caros amigos, vocês veriam isso como traição ou como oportunidade?


No mais, para encerrar aqui devo dizer que são só ponderações minhas, na prática é outra coisa, é muito fácil falar, mas ter a cabeça fria nesses momentos é uma arte a ser cultivada, como meditação perene para se chegar ao nirvana.



Thanos de Titã e os amores impossíveis



- Thanos de Titã!!! Precisa de tudo isso ai mesmo para lidar com ele!


Tenho que falar de quadrinhos. É disso que eu entendo (na medida do possível e de minhas limitações), e é o que posso falar. (Sim, orgulho de ser nerd e vir aqui dar um exemplo desses hahahaha).


Thanos é uma espécie de semi-deus na Marvel Comics (Homem Aranha, Capitão América, Thor, Quarteto Fantástico e por aí vai), de fato, se bem me lembro, o pai dele era irmão do pai de Zeus, o que faria ele primo de Zeus lol Enfim, diferente dos outros semi-deuses que foram viver em Titã, uma lua de Saturno., por... bem, ele é roxo e tem um queixo que parece um punho fechado (confira comigo no replay... ou no desenho).


- Eros Clássico, ou, como a maioria de nós o conhecemos "Cupido"


- Eros da Marvel, também conhecido como Starfox (não confundir com aquele jogo foda do SNES)


O ponto é que além de ser discriminado por ser diferente do resto das pessoas, Thanos acabou... Sabe, se apaixonando por uma garota aí... er... A morte!!!


Sim, ele viu a morte uma vez, por sua natureza diferente e acabou se apaixonando por ela. E passou toda a sua vida tentando agradá-la, virou um nihilista e passou a pregar a morte. Seu sonho era conseguir poder suficiente no universo para acabar com tudo e agradar a sua senhora morte, mas não importava, ele conseguiu a Manopla do Infinito (uma “luva” onde foram incrustadas gemas com as facetas da realidade que permitiam, bem, ele fazer o que quisesse), e matou metade da população do universo e ela nem tava ai pra ele.


- Olha que casal mais cuti cuti, eles ficam juntos no final :-D


Isso é só um exemplo clássico de uma pessoa que se esforça demais para agradar a outra. Isso nunca funciona, acreditem em mim, é um caminho que não dá certo de forma nenhuma. Talvez seja outra forma de dizer que amor não se compra, apesar de tudo. Mas Thanos é um apaixonado, ele tinha suas filosofias, métodos e conquistas e perseverou no caminho errado até que deixou isso de lado. Resultado... Depois de uns 20 e poucos escrevendo a saga, Thanos acabou com todo o universo e entendeu o significado da vida, para a morte e ganhou o beijo da morte.


- Morte do Neil Gaiman, nessa até eu dava umas bitoca! Sabe, engraçado que dizem que a libido (usado atualmente para designar apetite sexual) é uma força contrária a Morte, pois é algo que nos leva a criar a vida e não se render ao puro abraço da morte... então essa coisa de se apaixonar pela morte é muito engraçado por isso...


Talvez a grande lição disso tudo é que você não precisa desesperadamente querer obter seu amor e simplesmente aceitá-lo como tal e a situação como essa. Eu penso no amor como uma emoção que se basta e que se alimenta, afinal, como eu disse, alguém tem que te amar para você amar de volta? Não necessariamente, mas a sensação de gostar de alguém e como essa pessoa faz seu mundo ser maravilhoso acaba lhe tocando os ímpetos mais escondidos de seu subconsciente. Por isso as pessoas se humilham tanto por nada, perdem chances na vida e acabam tendo tanto remorso e medo de sentir amor uma nova vez, ou correr atrás de algo verdadeiro, preferindo mesmo uma paixão clássica, um bom relacionamento que depois de um tempo se esfria e nenhum dos dois sabe por que está lá.


Enfim, talvez com tudo isso, seja melhor você entender que é possível gostar de alguém que não tem em mesma dose. Então vá viver sua vida. No mais, não quer dizer que você só vá amar uma única pessoa para sempre e sempre, bom, não vai se não der a oportunidade, enfim...


Finalizando Tudo Isso


- Ai. Não, num to com dor nenhuma, "ai" é como se diz "amor" em Japonês e esse é o kanji que o representa!


Ou seja, para fazer um apanhado rápido de tudo o que eu escrevi (a versão resumida para quem não tem saco de ler tudo isso...), o amor é uma questão tanto genética quanto filosófica, uma necessidade que une os homens e mulheres em múltiplos laços (nota, não falei nada de homossexualismo porque, no fim dá no mesmo... er, sem trocadilhos!!!), fundamentais para a vida e evolução de cada indivíduo. Como somos únicos, também olhamos esse mesmo fator com olhos sem iguais e, por mais paradoxal que parece, é uma questão que precisa ser vista por duas pessoas diferentes para que possa dar certo, ou seja, o amor é aquilo que transcende até o impossível, o implausível e o improvável.


Uma relação e uma paixão são elementos alheios ao amor, mas ligados simbioticamente. Uma relação pode se desestabilizar, uma paixão pode terminar, mas o amor liga duas pessoas para sempre de um modo totalmente diferente. Entretanto, para poder florescer, é necessário, SIM mais que amor, não dá para viver só disso, não importa o que os poetas (eu incluso) digam você não pode viver só de amor... Mas dificilmente, viverá sem (no máximo, sobreviverá).


- Essa imagem é clássica, tinha que aparecer por aqui!!!


O que mais eu poderia dizer... Ah, não sejam sacanas com quem vocês gostam. Quando você fala com alguém, há sempre vários filtros que vão absorvendo o que a pessoa diz, é a paciência que você tem em estar com alguém. Se a pessoa vai falando coisas que lhe atingem, dependendo de quem é, há mais ou menos tolerância a respeito de quanto tempo você (ou a outra pessoa), vão agüentar ficarem argumentando antes que algum dos dois lados ceda ou à raiva, ou a acatar o que a outra diz (o que gera mágoa), ou a um entendimento mútuo. Se na maioria das vezes acaba que em raiva ou aceitação, tente cultivar mais camadas de entendimento, de paciência e tudo mais, isso é só feito quando há comunicação efetiva entre as duas partes (Sabe o papo de “a gente não conversa mais...”), isso é tão válido para um romance quanto para qualquer relação humana.


No mais, note que eu não falei sobre questão de músicas, poemas, histórias e tudo mais, que falam sobre o amor... Porque é algo natural ele ser tão influente. Frank Zappa (eu não conheço quase nada do cara, mas sempre que ouço falar dele é sobre algo bem legal, eu tinha que tomar vergonha na cara viu), disse em uma assembléia nos EUA sobre a censura em discos nos anos 80, que se as pessoas fossem impelidas a fazerem o que as músicas mandam, elas todas iriam se amar, por que o que mais existe são músicas de amor, porque simplesmente é isso ai mesmo!



Espero que as pessoas não tenham medo de amar, ou se negar amar essa ou aquela pessoa em si, porque tem muita gente que seleciona demais quem vai gostar, são os chamados tipos, que por vezes tem ordem biológica de gostar mais desse ou daquele, mas também tem muitas raízes sociais, o que é uma tremenda besteira. Não sou nenhum crente ou católico ou religioso fervoroso, mas vou citar aqui Jesus que simplesmente dizia “Amem-se uns aos outros” (claro, que ele não queria um Surubão na Judéia lol), e que os Beatles disseram tão bem com “All you need is Love”, tudo o que você precisa é amor. *


Ficou gigante de novo, acho que ninguém vai ler e não sei se quem ler não vai achar tudo muito óbvio e simples... Mas o segredo é esse mesmo, é tudo muito óbvio e simples, só que nós complicamos demais, é a natureza humana que transforma até o gesto mais pleno em uma maquinação complexa, mas se existem nós, veja graça em desatá-los.


Meus caros, por hoje é só! Té mais!!!




* Veja bem, quando eu disse que não se vive só de amor, é só de amor mesmo, mas no caso de precisar de amor para viver, é outra coisa, com o amor você constrói as coisas, você entende e quer entender mais as pessoas e pode criar sua vida do melhor modo, mas só com amor e sem ter esse dito ímpeto de ir atrás de todas essas coisas essenciais... Não há vida de fato, não?

Sábado, Agosto 15, 2009

Olá pessoal, estou aqui só para atualização rápida. Estou postando alguns vídeos no youtube, e quem quiser ver, que veja! Heheehhe


Começando com o carro-chefe, o vídeo do Homem de Ferro 2 que vazou da Comic Con, que eu coloquei na surdina, sem colocar as devidas tags para não sair do ar! Já tem uma semaninha e ainda tá lá! Fiz até umas legendas com o dispositivo de anotações... Enfim, olhem ai!



Em seguida eu traduzi uma música que um cara fez em homenagem ao Alan Moore. Meu amigo Bruno disse que a música é fraca... DE fato, a melodia é fraca mesmo, do tipo que uma criança podia criar de tão simples, mas não deixe isso te levar, o que vale mesmo é a letra engraçada e as referências Moorísticas que fazem esse video ser bem HuMoore-ado (Caceta, a pior piada que eu fiz na minha vida!)



Em seguida eu traduzi um video humorístico chamado "The Grapist", que eu traduzi como "O Estruvador". Para melhor entender, em inglês, Grape quer dizer uva, enquanto ao se tirar o "G" fica como "Rape" que é estupro! Então fiz um trocadilho levemente funcional para quem não entende muito inglês...



E por fim fiz um vídeo meio maluco, daqueles que "cantam a música fazendo caretas", aproveitando minhas feições borrachescas... ficou tosco bagarai! Mas enfim!



Vou ver se traduzo mais vídeos, é bem legal ver as pessoas te assistindo, apesar de eu não ter talento nenhum para mexer nesses programas de edição de vídeo... Tá valendo como diversão e coisa rápida!

Para verem vídeos legais mesmo, recomendaria irem no canal do ElMacBee que tem vídeos feitos por ele bem mais legais!

Bom, é isso aí, ciao bambinos i regazzas!

Segunda-feira, Agosto 10, 2009

Pipoca Agroselhada



Olá Meninos e meninas, tudo bem? (Amorin Style), dessa vez passando aqui para fazer um post um pouco... "Diferentch"...

Sabem, eu gosto muito de fazer doces, cacetada, acho que é bem possível que se eu tivesse uns 12 anos eu quisesse ser doceiro quando eu crescesse, porque é MUITO legal fazer uns docinhos!

Papo de bicha é o cacete viram, senhor machões que acham que falar assim de cozinhar e de fazer doces é coisa afeminada! Hombre que é hombre sabre agradar com quitutes energéticos para depois descontar essa energia de modo muito produtivo (reprodutivo só com carreira e relação estável e talz...)

Ops, enfim, eu gosto e sei fazer vários doces, então decidi colocar aqui a receita "passo-a-passo" de um dos meus doces favoritos!

Pipoca Doce!!!

(tá bom, se leram o título isso não é lá uma grande revelação...)

Sabe, muitas vezes em parquinhos comi essa pipoca, que é uma "diliça", o foda é que depois de crescido só tenho achado versões falsetas dela. Os vendedores muito espertos pegam corante vermelho e tacam na pipoca com um pouco de açúcar, o que é uma filhadaputagem total!

Enfim, a verdadeira pipoca doce de parquinho é com groselha e tenho dito! Se não fazem em suas cercanias, amigos leitores, agora vocês mesmos podem fazer!!!

Sigam-me os bons (cozinheiros):

Okay, vamos lá, para fazer a receita você precisara de:



- Milho pra pipoca (de boa qualidade, ou seja, daquele que estoura fácil e não te engasga ao comer)



- Açúcar (um monte, tem que ser formiguinha mas sem ter formigas escavando no seu açúcar!)



- Groselha! (Líquido-Ícone da infância de muita gente!)

- Coloque a pipoca na panela com óleo e a estoure! (Meu, se nem isso tu conseguir fazer na cozinha então suma, peça pra mamãe ou para um adulto responsável!)... [Caraca, que bizarro eu dizer algo assim hahahaha é tão Xou da Xu da vida! hahahaha]


- Eu tenho essa panela style, com tampa com manivelinha! Ha! eu giro e ela mexe os grãos de milho muito misturosamente! Assim elas estouram fácil e poucos grãos sobram! Sou um pipoqueiro praticamente! (Quem joga bola comigo lá na quadra da Spy é que sabe o quão pipoqueiro e pé torto eu sou hahahaha)

- Num disse? Olhaí como ficou! Praticamente uma pipoca refinada, gourmet, quase uma "pop-corn" da vida! Bom, agora que estourou deixe de lado... Não, peraí, quero usar esse termo gastronomico chique: "reserve" por alguns instantes em algum lugar moscaless!

- Passe um papelzinho e use a mesma panela, não tem porque sujar outra! Então coloque umas colheres de açúcar e um tanto de groselha. Eu não tenho uma medida certa, já que é de olho, então diria pra usar em média umas 6 colheres de sopa de açúcar e 6 colheres de groselha. Caso o xarope da groselha seja muito grosso, coleque um pouquinho de água.

- Vá mexendo tudo com uma colher de pau (er... eu só tinha de plástico... Mas tá valendo!), em fogo médio até ferver, aí abaxe o fogo rapidamente!

- Comece a jogar as pipocas, de pouco em pouco e vá mexendo. Faça isso rapidamente, para não deixar a calda sair do ponto! Se não tiver muita destreza para fazer isso, peça para alguém ir colocando a pipoca na panela enquanto você mexe, mas não ponha muita...

- Um segredo é ir colocando poucas e mexendo rápido, a pipoca absorverá o melado e ficará mais fácil mexer. Se você colocar muitas de uma vez, vai ficar difícil de mexer, as de baixo ficarão com muita calda e as de cima muito claras. Timing e uma boa distribuição de calda são tudo!

- O bom dessa receita é que cada vez você vai pegando mais jeito de fazê-la. Se usar pouca calda, as pipocas ficaram mais soltas, se eusar muita, elas ficaram grudadas!

- Voialá! Pipoquinha docinha bom pra namorada, namorado, pro titio e pra titia, pra vovó e pro vovô, pra papai e mamãe (er... sem duplo sentido).. Só não é bom para quem não pode consumir muito açúcar! Uma última dica: preense com algum prato na vasilha apra que elas fiquem mais grudadas e fáceis de se desmanchar na boca! E um último detalhe, depois de um tempo, como qualquer pipoca, ela começa a ficar parecendo chiclete de farpa, então, consuma rápido e não deixe sobrando para amanhã!


Bem é isso aí pessoal! Me contem se fizerem essa receita e o que acharam dela! É fácil demais pra fazer, não tem muitas dificuldades nem nada! Então, comentem! Pqp, ninguém comenta nessa bodega de blog! Se eu oferecesse pacotinhos dessa pipoca... ai sim acho que iriam querer...

Hehehe, desculpem a encheção de saco hehehe

Abraços a todos e até a próxima atualização! :-D

Quinta-feira, Julho 30, 2009

Pessoal, vou postar aqui finalmente meu conto Lovecraftiano que é um "extra" para minha primeira edição vindoura do Cometa #9. O processo demorou, dei uma relida e uma reescrita, mas não sei se vai estar OK. Para quem não conhece H. P. Lovecraft, pode encontrar mais indo nesse site. Tive uma pequena ajuda pelo twitter do Warren Ellis, que foi até engraçado ter sido respondida.



Eu ia colocar umas imagens, mas acho que seria mais interessante deixar a mente do pessoal que ler viajar sem muitas referências imagéticas. Só colocarei uma única imagem, que é um print screen do Google Earth do lugar.

Foi interessante fazer esse texto, pois tentei emular o estilo de Lovecraft, que é sempre muito cheio de referências, e o meu próprio texto é muito calcado em fatos, pessoas e eventos reais. Se quiserem pesquisar alguns nomes, irão encontrar a história toda em uma margem de plausabilidade muito bacana!

Muito Além da Sanidade


Encontro-me aqui forçado pelas leis do destino, tão acima das esferas humanas da compreensão, e ao mesmo tempo como conseqüência de meus ímpetos juvenis. Tão intensos como os instintos de um lobo das estepes, e tão efêmero quanto à vida de uma Borboleta Monarca. Condeno minha vida a uma prisão de constantes medicamentos, tremores repentinos, tiques nervosos e uma epilepsia misteriosa, surgida do nada.

Minha aguçada percepção e curiosidade, somada com meus talentos na área da antropologia conseguiram-me arrumar rapidamente um trabalho como tutor da cadeira de Antropologia Física, mas meus esforços em criar a matéria de Antropologia Mitológica e palestras a respeito de plausíveis civilizações Atlânticas e anti-diluvianas chamaram a atenção do meu atual patrono, uma ordem a qual se não está familiarizada ao ler estes escritos, talvez corra algum perigo mais real do que arrepios e hesitações no fundo de sua alma.

O Planetário de Expedições Extraordinárias com certeza absoluta é uma instituição das mais dignas e nobres que conheço. Não estou muito certo sobre seu período de formação, pois aparentemente, os grã-mestres dessa misteriosa associação nunca deram as caras para seus membros expedicionários, tal qual o interlocutor que vos fala, mas recordo-me de que disseram ao me recrutar, que o Planetário era uma sociedade fundada desde os tempos da Renascença, tendo outros grandes nomes da ciência, literatura e política como membros.

Um grupo muito dedicado de homens, a meu ver, que decidiu percorrer localidades remotas e misteriosas, em busca de conhecimentos secretos, os quais, uma grande parte da nova era da razão tornou a mitificação do desconhecido um passo da irrealidade.

Como que vos digo, o milagre do vapor e dos engenhosos mecanismos e engrenagens enriqueceram as terras e mudaram o status geopolítico do mundo. O poder de reis caiu perante grandes corporações. O fordismo é o novo exemplo de vida do ser humano, que deixou seu papel de agricultor no campo de seus senhores feudais, para ir operar as máquinas frias e oleosas de seus senhores empresariais.

As constantes chacotas de meus colegas por minhas idéias impactantes e muitas vezes contestadores a Deus e a santa palavra são mais do que provas disso. Assim como Darwin, qualquer nova tentativa de elucidar o mistério da vida é repelida pelo status quo desse mundo dominador.

Entretanto, a descoberta do Planetário de fato muito alegrou minha alma atormentada por essas idéias de um tanto incabíveis. Haviam pessoas que buscavam não só a verdade, mas sim, os segredos irrevelados por de trás das cortinas da irracionalidade.

Fui contatado por um jovem senhor de cabelos brancos, chamado Holden Frost, e fiquei fascinado com a menção de meus trabalhos a respeito da probabilidade da era dos homens atlantes pré-babilônicos. Fui convidado a participar de uma expedição a qual o Planetário havia organizado um bom grupo recentemente e, como um antropólogo de respeito e de mente aberta, seria uma valiosa aquisição.

Partimos de Trem até Nova York, chegando lá tomaríamos um vapor até a Inglaterra e depois seguiríamos rumo a Reykjavik, na Islândia, onde a tripulação já estava se reunindo.

Enquanto viajávamos o senhor Frost me pôs a par dos motivos para todo o interesse da associação, em enviar uma expedição para as remotas e pouco exploradas planícies gélidas da Groelândia. Aparentemente foram encontrados alguns habitantes da região, esquimós, de uma tribo particularmente distante e intocada, cuja existência era apenas uma mácula, uma mancha a ser esquecida por todas as demais.

Essa tribo maldita aparentemente faz elegias macabras para deuses pouco conhecidos, seqüestrando membros de outros grupos que nunca mais são vistos. Esse grupo encontrado atualmente foi detido após tentar raptar o filho de um pescador Português, ancorado com seu barco na cidade portuária de Ittoqqortoormiit (fundada recentemente, que também será onde aportaremos no início de nossa expedição).

Por sorte, o pescador, mais seu capitão (um dinamarquês entendido de alguns mistérios do mar) e alguns homens da tripulação conseguiram descobrir o paradeiro do jovem rapaz e capturar seus seqüestradores.

Para assombro, os homens entoavam um estranho mantra, uma canção de festim e louvor a nomes perdidos, enquanto perpetravam algum tipo de ritual macabro, o qual, para a sorte do jovem filho do pescador, não fora concluído. O local era uma pequena cabana gélida, fora dos limites da cidade, cujos moradores foram encontrados eviscerados e despelados.

Deve ser ressaltado um curioso fato desse resgate. Quando o grupo de homens, fortemente armados com espingardas e facões adentrou no local do malévolo rito, nenhum desses misteriosos cultistas esboçou qualquer reação. De fato, mesmo após amarrados e subjugados, eles continuaram a entoar frases profanas. Ainda mesmo após Thorsten, o imediato alemão e católico fervoroso, atingiu a face de um dos homens, quebrando-lhe a mandíbula, este não cessou d e repetir: “Ph'nglui mglw' nafh Cthulhu R'yleh wgah'nagl fhtagn” e “Ahk’tom E’ph fluth harh en’lorth Umbros”.

Nesse instante me lembro de minha leitura de uma cópia remanescente do “Necronomicon”, um livro maldito escrito pelo louco árabe Abdul Alhazered e dos Manuscritos Pnakóticos, pelos breves momentos que pude ler com atenção na universidade. A primeira estrofe me remeteu a uma breve passagem do livro dos mortos, “em sua casa em R’lyeh o morto Cthulhu espera sonhando”, o mesmo culto se encontra em várias partes do globo, entre tribos que seguramente jamais se encontraram devido a sua própria vida de isolamento geográfico.

A segunda passagem estava presente em um dito nos manuscritos, significando “Além do firmamento Ahk’tom E’ph será invocado pelos Umbros”. Enquanto Ahk’tom E’ph é citado como uma deidade que se hospedava no céu, em uma constelação que morreu há mais de dois mil anos, a parte dos Umbros, entretanto, eu desconhecia, pois não era citada em nenhum lugar.

O senhor Frost me contou que era um mito da região, sobre espectros que levavam a alma de crianças para apaziguar sua fome de carne nova e macia. Aquilo me percorreu pela espinha como um choque frio, provavelmente, mais frio do que eu iria sentir no decorrer da viagem.

No fim, estávamos viajando para um lugar desconhecido entre as geleiras, onde essas supostas criaturas se escondiam da humanidade, não por medo, mas por costume. Os esquimós soturnos apenas sacrificariam a criança para ofertar para essas criaturas, e ter seus bebês salvos desse terrível final. Com algumas ordenadas de onde ficaria o local dessa cidade gélida, o Planetário decidiu enviar um grupo atrás dela. “O que é improvável”, me contou Holden, “está sendo tratado como impossível... O remoto é o destino de todas as nossas expedições”, concluiu ele, indo para sua cabine.

Em Reykjavík conhecemos o capitão Robert Bartlett, que jurou por sua honra que nos levaria até nosso destino com sua embarcação, o Effie M. Morrissey custasse o que custar. Fiquei sabendo que a expedição seria acobertada por outra. Dessa forma poderíamos procurar a remota possibilidade que queríamos, sem chamar atenção da comunidade científica. Notei que esse era um modus operanti de toda a associação, que já sabia que as reações da comunidade acadêmica mundial olhariam com desdém para qualquer descoberta além de suas próprias capacidades de absorção.

Algum tempo depois, estávamos em Ittoqqortoormiit, e ficamos a par de toda a situação com alguns homens da embarcação que permanecia atracada no porto.

Infelizmente, não pudemos conversar pessoalmente com os cultistas capturados. Depois de revelarem o que sabiam, foram encontrados mortos no quarto reservado como sela para eles. Dos cinco presos, quatro foram encontrados com as gargantas dilaceradas, a mordidas, pelo único que restou, que pacientemente dispôs os corpos em uma posição na qual formavam um estranho e desconhecido símbolo, usando o sangue de seus companheiros mortos como tinta e os pés como pincéis, completou o rascunho do mal pelas paredes e chão de madeira, e, finalmente, se jogou ao chão para quebrar seu próprio pescoço com o impacto da queda, ficando assim no centro desse hediondo teatro de bonecos mortos.

Tudo isso aconteceu poucos dias antes de nossa chegada. Durante uma noite na qual a neve assobiava por entre os vãos da vila e nenhum dos guardas em questão escutou sequer um único ruído vindo do lugar.

Examinamos o local, sentindo um cheiro pútrido subir ao ar, mesmo para um local tão frio e conservado, havia um cheiro no ar que mostrava que não era apenas a decomposição dos cultistas enlouquecidos que poderia gerar tal odor ofensivo, mas algo mais profundo do que isso. Olhei a forma dispostas dos corpos, em uma espiral até o centro do quarto, seus corpos descreviam uma espiral que terminava no crânio partido daquele cuja mandíbula estava coberta em sangue coagulado. Uma relação eu fiz, com um abismo profundo e negro. Era de lá que exalava o enxofre, o perfume maléfico de entidades que apequenariam Lúcifer, e uma fragmentação da fragrância do próprio mal.

Arrumamos as nossas coisas em um dia e meio, para então zarpamos em direção das coordenadas recebidas pelos suicidas. Elas apontavam para um local inexplorado naquela região, a cadeia de montanhas conhecidas como Gunnbjorn Fjeld. A vários dias de viagem rumo ao sudoeste, teríamos que fazer uma viagem mais longa por terra. Ao sul daquela região era composta de sua maioria de rocha bruta, e, com o acumulo de gelo flutuando na costa, era muito perigoso irmos com embarcações menores levando nosso equipamento e suprimentos. Foi decidido pelo Capitão Bartlett que rumaríamos por uma das entradas do grande Scoresby Fjord, nomeado com o nome do famoso explorador, e então seguiríamos a pé, com dois trenós de suprimentos levados por oitos cães cada.


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Apesar de minhas preocupações em torno de minha aptidão física para agüentar a jornada (veja bem, eu nunca fui um grande desportista ou jogador nato de rugby, sendo que usava minhas forças físicas para tremer e manter-me aquecido), o grupo se mostrou confiante no sucesso da empreitada. Além disso, se acreditava que não iria durar mais do que uma quinzena de dias a nossa viagem, após desembarcarmos do Morrissey, assim sendo, não iríamos nos desgastar tanto.

A partir daí meus caros, devo-lhes deixar com outro rascunho, de outro tempo. Daquele tempo, para ser mais preciso. Preciso ser sinceros e dizer que minha memória é um eclipse congelado no tempo (se me permitem o trocadilho), em relação a esse momento específico. Graças ao meu fiel diário, consegui restaurar lembranças que, foram felizmente esquecidas. Assim anexo aqui como forma de dar continuidade a minha narrativa.

Digo-lhes, que a última coisa que me lembro desta ocasião, é de ter testemunhado a bordo daquela histórica embarcação, uma maravilhosa manifestação de luzes, uma Aurora Boreal como uma coroa no topo do planeta, ainda não tinha percebido, de fato, que não era um sinal de celebração, mas sim, um aviso dos céus.



21 de Setembro de 1926


Nesse momento enquanto escrevo, estão trazendo e verificando os suprimentos para a viagem. Ao que parece, além de alguma aparelhagem cientifica e de sobrevivência, temos muita comida, mas mais da sebosa gordura de baleia do que qualquer outra coisa.

Comigo, conto cerca de mais de 10 homens ao todo, além do senhor Holden, contamos com dois dinamarqueses, Bjorn e Einar, acostumados com essas baixas temperaturas, Dagfinn, um finlandês jovem e muito mais magro que eu, McLaurence, um escocês tremendamente forte que seria capaz de carregar um trenó sozinho, Nansen, o renomado médico noroueguês, Dmtri Vladschenko Yurinovich, um atirador russo, que pelo que ouvi falar, caçava animais raros para um circo parisiense, Henry Foster, um inglês que emprestava seus serviços da RSL (Royal Society of London), mesmo sabendo que poderia ser excluído da sociedade por participar de uma missão dessas; Albert Loremaster e August Peddleton, geólogo e arqueólogos da Miskatonic, dos Estados Unidos, que, creio eu, vieram com o mesmo motivo que o meu para essa empreitada, e o bravo capitão a nos guiar com sua experiência e rijeza, apesar da idade!

Ao que parece em alguns minutos começaremos a longa caminhada. Voltarei a escrever assim que pararmos para descansar.


22 de Setembro de 1926


Montamos acampamento depois de 6 horas de caminhada. Eu não sabia, mas já viramos a noite. Estão armando algumas barracas para nos proteger do frio, não há muito tempo para se construir iglus, mas já ergueram uma parede de gelo para bloquear um pouco os ventos.

Amanhã andaremos por mais umas horas, aproveitando sempre a zona de crepúsculo, onde a luz é suficiente e o calor (apesar de confortante), não auxilia no derretimento do gelo em que andamos, criando massas de ar quente e deslocamentos de ar frio em nossa direção.

Isso me faz pensar que um balão de ar quente seria interessante para essa jornada, mas, como bem disseram, seria como navegar com um barco sem remos e sem velas, estando a mercê das correntes.


25 de Setembro de 1926


Encontramos algo que nos estarreceu. Havia um senso comum de deslocamento e conversamos em vários momentos para saber se aquilo era possível.

Um corpo de baleia Orca encontrada em meio a essa imensidão branca, a milhas de distância de qualquer fluxo de água grande o suficiente para que ela nadasse até aquele ponto. Surgiu uma teoria entre nós de que poderia ter nadado por entre uma fenda subterrânea de água, e quando emergiu para recuperar seu grande fôlego, foi surpreendido por alguma placa sub-áquatica de gelo que o trancou na superfície congelada. Parecia plausível, apesar de fantástico, mas o solo embaixo não era puramente repleto de gelo, como ocorre em vários locais do ártico e do antártico.

Outra conjectura seria a da criatura ter sido congelada por éons em alguma torrente marinha, e acabando por descongelar em algum morro próximo de gelo e ter deslizado até aqui, conforme as camadas eram levemente aquecidas por curtos dias a fio. Essa hipótese me parecia ainda mais irreal, mas quando se apresentam novos fatos ao nosso já obeso ego, inchado de conhecimento e com os tornozelos recusando-se a correr em busca de novas possibilidades, qualquer coisa pode ser e ocorrer.

Entretanto o que aferroou qualquer devaneio de explanações científicas (por mais bizarras que fossem, ainda sim, dentro de probabilidades ínfimas), foi o fato da criatura estar morta a poucos dias. Mesmo com o frio mantendo seu corpo longe de um estado de decomposição avançado, foi possível se perceber que ela foi carregada até aquele ponto, depois de morta. Grandes nacos de sua carne haviam sido rasgadas, por cortes que assemelhavam-se a dentes poderosos de um mamífero muito maior do que um leão, segundo o próprio Dmtri pode confirmar. Além disso, ao redor de sua cauda, podemos conferir vários pontos de pressão extrema, afundando e cortando a pele, como um braço mecânico ou mão de um ser muito grande (porém, menor que a baleia), poderia ter feito.

Meus pensamentos voltaram-se para a lenda dos Umbros, as criaturas que foram citadas anteriormente pelos cultistas. Será que um deles (ou pior, vários), foram até o mar mais próximo e capturaram essa criatura? Arrastando-a até esse ponto da terra firme? Se sim, porque será que deixou essa enorme presa neste lugar?

Muitas perguntas me atordoaram por um momento breve. Talvez eu deva levar essas minhas indagações ao restante do grupo, mas dessa forma iriam se mostrar muito acima de nossas expectativas ao redor das mesmas.

A respeito do monstro, apesar de impróprio para nós, iríamos cortar pedaços de sua carne para alimentar aos cães, mas alguma coisa fazia com que eles rosnassem e repudiassem simplesmente chegarem perto da baleia, como se farejassem em sua pele fustigada e entranhas expostas, o mesmo fedor maléfico que pude sentir ao entrar em um local repleto de homens que se suicidaram como tributo ao desconhecido.


27 de Setembro de 1926


Ouvimos uma série de latidos dos cães durante a noite. Eles latiram simplesmente a noite toda, e para nosso espanto, não tinham mais energias para latirem pela manhã. De fato, nós dormimos muito mal com isso, e as represálias não adiantaram para acalmar os animais.

Ao acordarmos, notamos que um deles havia partido as amarras e fugido. Estranhamente, não parece ter sido mastigada até esse ponto, e o cão não teria como gerar tanta força assim, a ponto de partir a corda.

Eu e meus companheiros estamos sentindo alguma coisa rondar. Passaremos a manter rondas armadas com rifles durante a noite.


28 de Setembro de 1926


Dois relatos importantes. O Primeiro é sobre encontrarmos algumas partes do cão que teria fugido na noite interior. Para ser mais sincero, encontramos apenas o couro e seus pelos arrancados, como uma carcaça vazia, morta e despelada.

Observando mais aproximadamente, acreditamos que alguma coisa rasgou-a, mas de modo muito brusco e torpe, como se recortasse com algum tipo de garra e de um modo totalmente violento.

Não havia, entretanto, nenhum sinal de sangue ao redor, como se a neve absorvesse tudo. Um monstro a quase nos cegar.

Pela primeira vez, sentíamos que não estávamos simplesmente nos metendo com lendas improváveis ou apenas resíduos de um povo que deixou sua marca na história desse local remoto. Havia algo quase como que sobrenatural no ar, e isso poderia arrancar nossa pele com unhas mais afiadas que a lâmina mais cortante feita pelas mãos do homem.

Quando anoiteceu, peguei o primeiro turno de vigília. Não sou um homem dos mais atentos, muito menos daqueles cuja a pontaria é algo notável. Alguns dos homens que estão conosco serviram na primeira grande guerra, mas somos todos iguais nessa jornada. Perdi-me por um momento a olhar o céu e recordar das estrelas e suas constelações.

Nesse momento a grande imensidão negra, pontilhada por brilhos de diversas intensidades, atirou em algum lugar do horizonte próximo, uma gota de seu sangue. Vi um estranho objeto cair em alta velocidade, além das montanhas mais próximas. O corpo celeste parecia ter sido atirado do firmamento como se fosse um anjo profanador expurgado dos céus e banido para uma terra de sofrimentos.

Segundos depois, precipitou em um grande brilho, que iniciou uma estranha reação no céu e na terra. Primeiro, o impacto fez com que o chão tremesse e todo o restante do grupo. Saíram das pequenas barracas amuradas rapidamente, se juntando a mim, para vislumbrar uma estranha formação de fumaça cintilante subir, como um vulcão cuspindo prata em pó de seu cume.

Após isso, conseguimos ver ao longe o movimento da neve no topo das montanhas, formando uma onda de pura espuma sólida, descendo a uma grande velocidade, em uma avalanche que destruiria facilmente qualquer cidade de médio porte. Quando o som ecoou em nossos ouvidos, soubemos que se tivéssemos dentro de nosso cronograma inicial, e não tendo gasto algum tempo parando para analisar o que ocorreu no caminho, poderíamos estar soterrados nesse instante por esse acontecimento imprevisto.

Apesar de alarmados, o grupo permaneceu confiante. Todos sentiram isso como um sinal do destino para seguirmos em frente, pois outro acaso estelar desse nível, dificilmente ocorreria duas vezes, e com o grande monte de neve recentemente descendo do topo, isso diminuía as mórbidas chances de sermos engolfados por isso.

Entretanto, eu achava toda aquela situação um presságio totalmente avesso as acepções de meus companheiros.


30 de Setembro de 1926


Até o momento, estou aterrorizado. Minhas mãos não cessam de tremer com o que vi. Penso se meus olhos realmente compuseram todos aqueles acontecimentos horríveis que vou relatar hoje. No palco, a dor, nosso anfitrião, é o horror em pessoa.

Estava me recolhendo, após meu turno de vigília. Arumava minhas coisas para descansar mais uma noite, após dois dias mais “calmos” por assim dizer. Pensava em muitas coisas, quando finalmente ouvimos um grande estrondo de rifle ressoar há poucos metros do acampamento, assim como um grito humano rasgado, dilacerado em dois.

Levantamos o quanto antes, armando-nos com o que havia mais próximo. Agarrei uma antiga pistola Colt peacemaker, cuja qual rezei para que não estivesse tão congelada quanto minha pontaria. Meus passos gaguejavam enquanto eu corria e eu deixava lá atrás a pouca coragem que acreditava ter. No ponto de vigília, onde queimava algumas tochas protegidas, miramos as poucas lanternas que tínhamos.

Foi aí que o impossível nos atingiu.

O pobre Dagfinn, que fazia a vigília nesse momento, parecia flutuar mais de um metro no ar, como se estivesse estirado em um divã romanesco, porém, sua altura total aumentara consideravelmente. Mais de um metro para ser mais preciso. Cento e poucos centímetros entre a parte baixa de sua cintura e sua região toráxica, ligados por suas tripas, presas como uma corda frágil e pegajosa, enquanto o restante de seus órgãos caíam como figos derrubados de uma cesta.

Nesse momento, enquanto nossos fôlegos ficaram congelados no frio daquela terra, percebemos na eternidade de um segundo, que havia algo o erguendo acima do chão. Somente quando os dois pedaços de seu corpo foram atirados em nossa direção tomamos em nossos nervos e reflexos a ciência da ameaça. Nos instantes que se seguiram, conseguimos mensurar o tamanho de tal oponente e seu perigo.

Eu, mais do que todos, senti o peso de tal atroz besta.

O corpo de Dagfinn, pelo menos sua parte superior me atingiu com força, como se eu fosse atropelado por um cavalo a galope. Cai ao chão, com seu dorso aberto e oco sobre o meu peito. Meu maior assombro, mais do que o cheiro e o toque do sangue quente se esfriando e tingindo minha pele, foi ver os olhos revirados do jovem, pálpebras em um movimento aleatório, como em um sonho mortal, ou um pesadelo feito realidade, gemendo com sua boca trincada, dentes batendo nos últimos instantes de uma vida que persistia em se agarrar ao fio de prata, já rebentado.

Seu crânio estourou em muitos mais pedaços naquele instante, seus olhos perderam o brilho umedecido que reluziam. O gelo ficou rubro e cinza. Minhas mãos tremeram com o único tiro que dei nessa expedição. Para dar ao rapaz pelo menos um alento, e não sofrer nesses momentos finais de sua vida.

Horrificado e enojado, esforcei-me para afastar a carcaça morta de Dagfinn de cima de mim. Com algum esforço, levantei-me, com as pernas balançando ao tentar se equilibrar na realidade. Arqueei-me e vomitei. Avançando um pouco para frente e retomando parte do que estava acontecendo. Henry Foster, amedrontado, havia gasto todas as balas de seu revolver, quase acertando os outros, e nesse instante, podemos ver algo que não podia ser visto, se mover.

As luzes de nossas lanternas mostravam um volume de... alguma coisa, avançar em direção ao inglês, que apertava o gatilho inútilmente, fazendo cliques ritmados na ausência de munição em seu tambor. Aos meus olhos, “aquilo”, era como a superfície de um lago cristalino, ao se jogar uma pedra, criando ondulações que turvavam momentaneamente a luz em sua borda em expansão. O fantasma (acredito já poder chamar, de fato, aquilo de fantasma), ergue-o ao ar e arremessou ao chão, assim como um fazendeiro ara a terra, matando-o.

A velocidade da saraivada de tiros não pode acompanhar a da criatura, que saia da direção da luz, arrastando o corpo de Foster para a escuridão.

Ela iria acabar com todos nós. Um único monstro desses iria pegar um por um e nos levar para o meio das trevas. Nossas peles seriam arrancadas muito antes de chegarmos até ao sagrado terreno desses seres.

Minha cabeça estava matando meu corpo muito antes da hora, entretanto. Holden assumiu a liderança rápida, ordenando a todos. Ficamos de costas, em um círculo de atenção, e, pela primeira vez, fizemos silêncio, conseguindo então escutar o som, parecido com rochas caindo umas em cima das outras, em uma cascata.

Ao virarmos nossas lanternas, algo caio próximo de nosso grupo. Parecia um sobretudo, mas na verdade, era tão somente a pele arrancada de Foster, embolada com suas roupas. O som de pedras rolando, era na verdade de ossos sendo mastigados. O Corpo de Henry era consumido como carne em salmoura. Ele ficou compactado dentro de um espaço, ainda um metro e pouco acima do solo. Seus órgãos e membros. Indefiníveis.

A criatura avançou, como se não percebesse que seu trunfo havia terminado. Todos atiraram, excetuando eu. Não consegui parar de tremer ao olhar para o corpo de meu companheiro de viagem em um estômago invisível. Ouvia os estouros dos disparos, eles pareciam fazer efeito no que quer que aquilo fosse, pois passou a tentar desviar, mesmo depois da segunda rajada de tiros. Era possível se perceber que os projéteis perfuravam uma camada sólida de “ar”, ficando alojadas na carne hipotética do ser.

Provavelmente a criatura não estava acostumada com esse tipo de armamento, e sim com lanças dos esquimós e poucos ataques de animais marinhos, como as baleias que caçava. Arrogância e orgulho, não eram somente características humanas, posso salientar, mas de todas aquelas criaturas com algum desvio além do equilíbrio com as leis da natureza.

De súbito, quando balas o suficiente foram deflagradas para matar uma manada de elefantes, a criatura tombou, criando um estrondo tão grande quanto o pavor que causou e levantando pedaços de gelo ao ar.

Depois de alguns instantes, assim que o grupo conseguiu voltar ao foco normal, por mais estranho que soasse a normalidade do momento, decidimos verificar o Umbro. Analisando o com o tato, podemos conjecturar a respeito de sua natureza. Ele possuía uma pelagem densa, maior do que qualquer urso branco, segundo Dmtri. Sua forma era humanóide, com pernas e braços, possuindo também, unhas afiadas como lâminas. A estrutura parecia a de um grande babuíno, assim como as lendas do Himalaia, como o Yeti, mas muito massivo. Seu crânio, apesar de possuir boca e nariz, possuía uma ausência de olhos. Muito possivelmente, vivendo em um lugar como esse, a luz seria cegante, além do que, ele ainda teria vantagem em muitos pontos sobre outras criaturas com a visão desenvolvida.

Nesse momento o grupo está discutindo o que faremos. A lógica diz que deveríamos voltar, mas...


2 de Outubro de 1926


Parte do grupo decidiu retornar carregando o corpo de Dagfinn e Foster, além da própria criatura, é claro. Enquanto o restante ira se dirigir para as coordenadas marcadas, já nas montanhas, e terminar a expedição de uma vez por todas.

Decidi seguir com o grupo. Apesar de temer e saber que a decisão mais acertada seria fugir, Holden me lembrou que é para isso que eu vivi e por isso que estava ali naquele momento. De certo que isso era algo a se ponderar, minha vida não tinha a mesma cor que agora e, apesar de todo meu medo, eu sobrevivi. Nunca se sabem as chances de quem morrerá ou de quem viverá, mas sim o que cada um tentou alcançar durante esse tempo.

Por sorte, não faltava muito para chegarmos ao nosso destino. Caso tivéssemos que escalar até o cume dessas montanhas, levaria muito mais tempo, entretanto, é apenas contornar os pés de algumas delas até chegarmos ao local.

3 de Outubro de 1926


Graças as precisas instruções do capitão Robert Bartlett, chegamos em Gunnbjørn Fjeld. Os relatos dos eskimós cultistas não foram errôneos, apesar de não saber como eles sabiam a localização deste lugar, eles conseguiram nos trazer até aqui. Após muitos sacrifícios, conseguimos.

A neve nos castigou nessa última parte da jornada, como um chicote do divino. O vento e o gelo quiseram nos atrapalhar, mas depois de tudo o que passamos, não eram mais do que pequenos obstáculos a serem transpostos. Alguns dos nossos companheiros perderam suas inestimáveis chamas, enquanto caminhávamos para este branco oblívio. Honramos as suas memórias ao atingirmos esse local, depois de tantos apuros que passamos. Urramos de júbilo com nossa conquista, inebriados, mesmo em face de qualquer temor.

Depois de muito andar, encontramos entre uma região mais estreita, sob o pé dessas montanhas, o que parecia ser um grande portão, feito de um mineral desconhecido. Ficamos desconcertados com seu tamanho colossal. Mesmo de longe, parecia do tamanho de um edifício de vários andares. Enquanto nós nos aproximávamos, percebemos que a porta era muito grande para ser aberta por quaisquer números de mãos, mesmo mãos poderosas, como as do babuíno translúcido enfrentamos. Ainda mais com batentes imensos que se faziam presentes.

Alguns entalhes e imagens presentes no muro também eram um novo mistério, pois, como uma raça cega iria achar necessário ou conseguiria criar signos visuais assim? Não há nenhum motivo para isso.

No mais, a própria porta estava aberta, como se nos convidasse ao descobrimento. Decidimos que apenas um de nós iria se aventurar primeiro, para assegurar a segurança. Para minha sorte (provavelmente, o mais receoso de todos os presentes), Dmitri se voluntariou, querendo mostrar sua bravura cossaca que não temia nem o desconhecido.

Enquanto ele percorria sozinho o lugar, passei a tentar decifrar os significados do que estava representado ali, naquela entrada. Minha hipótese inicial é bem simples: os Umbros apenas tomaram o local ou encontraram-no assim. Desse modo, estariam se adaptando a aquele santuário distante, que, caso estivesse eu correto, seria ainda mais antigo do que seus atuais moradores, escondendo segredos inesperados a todos.

Escuto Dmitri voltar ao portão, nos chamando. Parece que o local está seguro para entrarmos. Devo escrever mais em breve, a respeito de nossas descobertas. Isso se houver algum momento adiante.


10 de Outubro de 1926


Eu não sei se deveria relatar isso... Já se passou uma semana, uma semana horrível e penosa. Eu já não consigo fechar mais os olhos de medo do escuro, apesar de estarmos longe daquele lugar maldito. Eu tenho que escrever, tenho que contar. Estou com uma febre que me aquece e me enfraquece ao mesmo tempo, minha caneta treme e permaneço pouco tempo consciente. Em breve estarei retornando com o resto do grupo ao Morrissey, pois minha situação se agrava cada vez mais, então, devo relatar o que aconteceu em três de outubro deste ano de 1926.

Entramos pela imensa porta ao ouvir o chamado de Dmtri. Ele berrava como quem não temesse ser encontrado. Por um lado isso pareceu muito imprudente, mas visto que não notamos nenhuma coisa errada, sentimo-nos mais seguros com esse gesto, e passamos pela grande porta aberta. Vislumbramos as construções que se erguiam por detrás dos muros, tão absurdas quanto maravilhosas ao mesmo tempo. Grandes espirais construídas apontando para os céus, e a própria encosta das montanhas esculpidas com formas pentagonais de moradia. O que pareciam ser edifícios não possuíam portas ou janelas convencionais, eram apenas buracos que ignoravam noções de arquitetura básica. Pelo menos, as que considerávamos básica em nossos padrões aritméticos.

O chão era asfaltado com pedras polidas e verdes, não tendo nenhum resquício de neve, pois as pedras eram quentes como um pão recém assado. O próprio ar era morno, me lembrando algumas tardes em que andava pelo parque de minha cidade, quando o sol aquecia as poças de água da chuva matutina e sentíamos o calor subir do solo.

Andamos por mais um momento, os outros decidiram inspecionar as construções, enquanto me aventurei a tentar descobrir o exato tamanho do local. Havia um estranho arco em certo ponto, que obstruía a visão do restante da cidade. Era como uma mini montanha, mas feita com uma rocha polida, negra e brilhante, com um túnel cilíndrico, que ficava exatamente um metro acima do chão.

Subi para explorar, enquanto gritava para o resto do pessoal vir olhar aquilo. Minha descoberta era relativamente mais penetrável do que o resto das edificações, que precisariam de escadas para um fácil acesso. Corri novamente como criança, imprudente e leviana, sem temores nem amanhãs distantes, só o constante agora.

Ao sair, fiquei levemente frustrado e surpreso. Andei com passos lentos enquanto os outros vinham me alcançando. Vislumbrávamos um horizonte vazio. Sem construções, criaturas ou qualquer coisa. Descuidado, pisei sem notar em uma estranha armadilha luminosa, que incandescia letras de um alfabeto anterior ao tempo dos homens. Duas riscas se encontravam abaixo da sola de minha bota de couro reforçado.

Enquanto meus companheiros, letárgicos pelo esforço despendido na viagem, me alcançavam, meus olhos vislumbravam um pouco abaixo da linha do horizonte. Além das fronteiras humanas da compreensão. Uma cratera. Extensa e profunda o suficiente para engolir tudo o que havia ali. Eu via o traçado que pisei flamejando dentro de um circulo arcano, provavelmente com alguma razão desconhecida.

No fundo, era possível ver, cintilando, alguma forma avermelhada e sinistra, entre chamas e gases densos.

Eu olhava para o abismo, e ele olhava de volta.

Ao chegar ao meu lado, o Capitão me emprestou sua confiável e potente luneta. É quando eu vislumbro o que parece ser o ovo do diabo. Rubro e partido, que começava a exalar uma névoa pestilenta, logo cobria a extensão da cratera como em uma profana forma alienígena. É quando ela começa a criar formas mais distinguíveis e menos etéreas, mas muito mais aterrorizantes.

Como um feto, flutuando em sua névoa amniótica maldita, seu denso coração é formado. Nansen, o médico Norueguês, vomitou a gordura ingerida nos últimos dias, ao ouvir o coração trovejar como tambores vikings chamando a morte. É quando Dmitri, o herdeiro de Rasputin, decifra o fenômeno. Ele não conhecia o rito, as inscrições ou as conseqüências, apesar de seu conhecimento, mas sabia que a névoa tomava a forma de nossos medos. E enquanto o pavor e a loucura se instalavam, seu olho pairava sobre nós. Foi quando escutamos em nossa mente um eco de eras passadas.

Ahk’tom-Meph. Ahk’tom-Meph. Ahk’tom-Meph.

Nossas almas foram as interpretes. Seu nome só tinha um significado.

Destruição.

A forma “daquilo” era difícil de descrever, era como se toda a verdade do mundo se, tornasse mentira, em um segundo. Meu cérebro derreteu, meu grito, minha voz morreu e tudo o que eu sentia fugiu por entre o negro da retina de meus olhos. Havia uma massa de carne disforme perante nosso grupo que arrancou o fôlego de todos. Ele possuía olhos gigantes, do tamanho de barcos menores, quatro para ser preciso, um mirado para cada ponto cardeal. Além disso, grandes tentáculos balançavam aos céus, como os de um polvo, mas consegui distinguir olhos mais sinistros de um dos lados da ponta de seta que haviam em cada um de seus “braços”, enquanto uma boca saía do outro lado. Acima de sua cabeça, mal pude notar, mas conjecturar uma abertura, como uma coroa sinistra, e a boca para a entrada do próprio inferno.

Foi quando a terra tremeu, a criatura se moveu pelo solo, e eu, um incauto congelado na beira da cratera, escorreguei para aquele fosso. Não senti nenhuma dor, veja bem, minha mente estava desligada naquele momento. Por sorte ou por azar, não morri durante a queda, nem acabei parando no fundo daquele grande buraco, mas acabei em uma irregularidade no declive, com minha perna deslocada. Não urrei, nem gritei, continuei focando, inerte, o que via mais próximo do que antes.

Meus olhos perceberam os invisíveis Umbros, dançando ensandecidos em cima de uma poeira prateada, como pó de estrelas, revelando suas formas e movimentos ao redor daquele... Deus. Não sei, devo me censurar por chamar aquilo desse modo, mas, o sentimento parecia o mesmo. Entretanto era como ver a face da Onipotência, a cólera divina que não tem um lado generoso para com o mundo.

Lentamente, o tentáculo acertava um grupo deles, e eu podia ver a carne esponjosa desse braço maligno absorver as argênteas silhuetas bailantes. Era um sacrifício pleno, um genocídio ritual que eles faziam. Com sua própria carne, eles completavam o ser que saiu do estranho ovo. Se pudesse raciocinar, eu diria que fora aquele o misterioso objeto que caiu dos céus dias antes, como uma anunciação desse pesadelo.

Subitamente, não haviam mais babuínos sapateando. Todos foram engolidos pela criatura glutona, e assim, como se sentisse algo em seu brio, ela começou a mover, com algum nítido desespero. Pude notar, pois, imerso nesse mesmo sentimento estava eu, e vi-o seguir em minha direção.

Seus tentáculos maiores me erraram. Não eram a mim que eles procuravam, mas eu pude perceber que a ausência de pés foi suplantada com milhares de pequenos tentaculinhos para lhe oferecer suporte. Foi com um terror mudo que senti a sombra bloqueando o sol, o frio da minha pele acompanhou enamorado com o da minha espinha, enquanto ele eclipsava a minha vida em cada centímetro que se movia.

Senti como se tivesse caído no leito do rio estígio, e mãos sem dedos, de braços de disformes condenados a nadar naquele leito de morte, tentassem em vão me segurar para afundar com eles. As próprias dimensões e pontos relativos da gravidade de Newton não se aplicavam. Eu caía mesmo deitado no chão, e era dragado ao topo pela sensação imunda de ventosas percorrendo o meu corpo.

Eu esperava pela morte, durante aquele ato horrendo que sofria, mas ela não veio. Cada palpitar do meu coração durava eras para se passar, pois a criatura, apesar de aparentar pesar como um pequeno país, apenas me fazia sentir aquele mal estar supremo. Meus ossos que estavam intactos no momento que ela se aproximou, permaneceram do jeito que estavam como se fosse apenas uma cortina de água fria correndo por mim.

Eu me virei, para ver o que a criatura pretendia. Ela andou por cima das construções, e por cima das montanhas. Provavelmente, esperando o último naco de realidade que precisava devorar, uma última parte essencial, assim como todas as outras. O guardião que arrogante caiu perante nosso grupo e rumava morto para a embarcação. Eele parecia o sentir e seguir, mas não teve tanta sorte, pois tão rápido quanto se formou da simples fumaça, passou a sumir. Ao chegar ao cume além do horizonte, já não havia mais nada a se temer, além da dor das lembranças.

Fui carregado para fora por meus incrédulos companheiros, perdendo a consciência por dias. Foi me relatado que um estranho movimento, um dia depois que saíram do local às pressas, soterrou com uma quantidade infinita de gelo aquela cidade maravilhosa, lar de horrores. Improvisaram uma maca e depois de três dias de viagem, acordei febril demais para saber que estava acordado, de fato.

Estou usando de minhas forças nesse raro momento de consciência para fazer este último relato. Já não encontro mais forças e o sono me chama, meus músculos se desfazem, só me deixando as pálpebras pesadas demais para permanecerem erguidas.

Após a grande catástrofe, nos recolhemos com os cacos que sobraram. Houve aqueles que se juntaram para poderem se reerguer após dessa abissal contenda, como Nansen e o Capitão, que jurou nunca mais relatar esse absurdo, nem mesmo a sua própria mente, sendo que somente neve ele jura ter visto.

Teve aquele que se voltou para si, na solidão, pensando a respeito dos “comos” e “porquês”, das coisas terem acontecido dessa maneira. Como Dmtri, que mesmo crendo conhecer feitiços, bestas e segredos além da pólvora, tentava explicar a si mesmo o que era aquilo.

E ainda um que, mesmo estarrecido com a nova descoberta, parecia vidrado com as possibilidades de eventos e infinitas portas que se abriam... Para pior, ou para melhor... Como era Holden Frost, que não parava de escrever em seu guia, a situação atual.

Quanto a mim, restou-me o papel de salvaguardar os registros dessa história. Sabendo que a partir desse ponto, nada seria o mesmo, nada ser impossível, tudo seria... Inevitável...


E meus amigos, foi isso que eu escrevi na ocasião. A bordo do Morrissey, perdi minha consciência muitas vezes e não consegui me lembrar de nada, nem uma gota de memória.

De volta a Europa, fora me recomendado passar uns tempos em Viena, onde eu veria alguns dos melhores médicos e psiquiatras a disposição de meus patronos, pois obtive tiques incessantes, meus olhos piscam em coordenadas aleatórias, minha boca range de frio mesmo ao pé de uma lareira e minhas mãos se contorcem como folhas ao fogo todas as vezes que ficam molhadas.

Deitado, eu me questiono se o que eu vi não foi a razão a qual nós não deveríamos existir, como se tudo que eu já tinha lutado para aprender anteriormente tivesse apenas me levado a descobrir que estava certo, que toda a humanidade não passa apenas de grãos de areia insignificantes no deserto árido que é o universo.

Agora eu me recolho a minha alcova, deito-me todos os dias com um colchão feito de inúmeros travesseiros, que me dão a sensação de estar afundando em algum lugar longínquo, para além deste meu corpo, para além deste mundo...


- Fim -

Segunda-feira, Julho 27, 2009

Olá pessoal, vou deixando aqui um texto que escrevi para uma pessoa com quem já não falo mais. Logo logo, juro, trago o conto à lá Lovecraft para quem quiser ler. Ele está bem grandinho já, mas acredito que termino ainda essa semana!

Também estou fazendo uns escritos para um novo projeto de HQ, então, vão esperando!!!

No mais, aqui só tá uma chuva danada, pqp, quase 10 diz direto! E olha que agora que parou um pouco AINDA está frio e ventando pacas ,com previsão pra chover MAIS essa semana inteira!!!

Bom, deixa eu ir, abraços a todos!


Crisálida




Crisálida, minha casa, meu lar, parte de mim replicando-se no ambiente. Ai de mim, que meus sonhos são paredes e espaços ao meu redor. Meu gosto é chão e teto e meu futuro, tão perdido nas veredas do desconhecido, correndo pelos prados como vento da matina, tão indômito que eu me perco dele como ser que sou. Fragmentada em pequenas porções do arco-íris, em sete cores miraculosas, sete notas misteriosas, sete emoções repentinas.

Eu que sou tão pequena, eu que sou tão frágil quanto o aço e tão abrasiva como a chama lúgubre de uma brasa eterna, perpetuo a minha luz entremeio as trevas nubladas de meu próprio consciente, inconsciente de que todo o coletivo também faz parte desse meu canto, meu encanto, meu charme para o mundo, eu, que de toda tímida também sou toda ardorosa. Distante dos ecos do universo em caos borbulhante e usou fauno, seiva e raiz, lascivo fruto proibido, doce e sensual cor que desabrocha nas flores mais fugazes, enredando o meu mundo íntimo com o meu olhar erótico e meus tons hipnóticos.

Ainda sou uma pérola, ainda me formo antes de ser brilhante e perfeita, em parte lhe digo que sou ainda moradora dessa minha crisálida, vivo em meu casulo, crescendo em todos os ângulos, antes que meu corpo, meus joelhos, feitos de borboletas replicando-se como a própria matiz do pôr-do-sol em vida, exploda em uma profusão de agitações corpóreas e edificadas pelo sincronismo unilateral das verdades que anseio, eu pujo meu destino, não maior que eu, e sim tão iguais a refração de todos os meus gritos de liberdade, pois quando o dia que minha casca se romper eu, que irei sair dela, finalmente serei livre para disparar minhas rajadas de alegrias contínuas para todos os lados, direções e dimensões sem as quais o conhecimento humano e científico fora plenamente concebido...

Levando o brado eterno do amor, a mim, que sou a flâmula futura da imensidão, eu vos digo simplesmente, com minha voz já rouca de atingir as estrelas e tão trêmula com a verdade descoberta: minha vida é minha para plenamente ser vivida!

Apago as luzes e vou embora, meu casulo, minha crisálida... Ainda que nela esteja meu corpo, nunca deterá as proporções de minha alma...