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sábado, maio 16, 2009

Absolute Dark Knight - Resenha
- É a única imagem que vou postar, porque to com um pouco de pressa, então, vá lá!!! É a capa do encadernado que obtive!!!


Olá pessoal. Bom, parece que o Hoax não pegou, ou quase ninguém leu hehehe afinal meu blog acho que é mais mesmo para meus chegados (e quando digo chegados, leiam “pessoas que eu mando para ler e faço birra se não lerem”), e alguns sortudos ou azarados que caem linkados por... Sei lá, alguns dos marcadores que coloco aqui. Seria engraçado ver alguém chegando por cagada no blog e atualmente achando interessante. Mas sei lá, eu mesmo leio poucos blogs, quando mandam uma coisa interessante eu paro e dou uma lida... Enfim, hoje em dia o V-Log que toma conta...

Ah, também queria dizer que agora estou postando junto com o meu caro amigo Massafera no blog dele (este aqui). Então podem aparecer por lá também que estou escrevendo o que ele me pede e traduzindo pra inglês pra gringada que tem o DEVER de admirar a arte do cara possa entender “what’s going on”.

Outra coisa eu queria saber do meu caro amigo Prático o que aconteceu com o Gonçalo Jr. Juro que não fiquei sabendo de nenhum treco desses com o cara, o “Guerra dos Gibis” é um livro excelente, é tipo um Veias partidas da América Latina para o meio quadrinístico no Brasil e se afastar desse lado acadêmico com suas publicações é uma perda enorme. Pode me contar ali no reservado, mas também acho algo digno de se dar nota e realmente dar um puxão de orelha nessa galera ai que lê quadrinhos e que se foda, á ta na hora mesmo de fazer alguma coisa em relação ao que está acontecendo com os comics feitos, estudados e impressos aqui, eu acho que tão elitizando muito as HQs, aliás, acho isso faz tempo, desde a época em que fiz meu TCC...

Bom, voltando a programação normal... To aqui meio puto jogando Contra 3... E PQP, esse joguinho é foda, ou eu sou muito ruim mesmo, porque male male consigo passar da terceira fase desse bagulho. Agora que cheguei no chefão, um tipo de Exterminador do Futuro Ultraman-sized eu apanho pra cacete. Claro que é uma bosta jogar no teclado (é, meu SNES foi pro saco [de doações, não do lixo] faz bons anos e não tenho videogame faz anos e anos), enfim, fiquei um pouco irado, queria me animar um pouco pra acabar de vez a terceira edição de EffectMan (meu projeto pros gringos de HQ que está quase pronto), mas vou fazer é outra coisa... Liguei aqui o Toxicity do SOAD (EU GOSTO!!! Tem muita gente que olha com cara feia porque são meio metal, outros por ser meio modinha do começo dos anos 00 e outros por só ser meio metal, mas aço que os caras são engajados, as músicas tem peso e também tem um bom diferencial que não ficam na baba que é o Nu Metal), e vou fazer um review jogo rápido.

Dark Knight, pela última vez, juro!

Bom, como disse no meu post anterior eu ganhei a Edição Definitiva do Cavaleiro das Trevas. Ganhei pelo twitter numa promoção feita pelo @boletimpanini, e chegou aqui em casa segunda. Legal que veio em um envelope assinado pelo Oggh, editor da DC lá da Panini (então deve ser ele que gerencia o boletim? Pode ser, pode ser), e como muitos devem ter desejado vencer, mas não levaram, senti uma pontada de obrigação de dizer o que penso sobre a edição!!! (Hei, rimou morcegão!)

Bem, vamos lá...

Eu gostei da capa, apesar da minha preferida ser a primeira, do Batman cruzando o relâmpago (tanto que foi uma analogia que fiz para o nome do trabalho que postei aqui), mas é bacana e os caras tem que diferenciar um pouco as capas, não?

Enfim, abrindo vemos uma grande página com o Coringa rindo e atirando, um dos quadros da terceira edição de DK, e depois um painel duplo com o Batman e A Robin (Carrie Kelly), com os créditos. Acho que a grande graça disso, que já é até costumeiro em alguns casos, que deve ser para mostrar a granulação da colorização, que é um grafismo bem popular para comics (só ver em quadros do Roy Litchenstein), mais uma imagem da Robin com os créditos nacionais e ai então tem uma pequena introdução BEM bacana do Frank Miller, que ele escreveu em NY 2006.

Nessa intro ele fala um pouco a respeito do choque que um "insano" psicólogo causou na comunidade criadora dos quadrinhos desde os anos 50, e então faz uma analogia de como isso influenciou em seu trabalho. Para ser sincero isso é bem fácil de ser percebido, o fato do Morcego ser muitas vezes criticado e de herói passar a ser temido, fora da lei, MAIS VIGILANTE DO QUE NUNCA, ressalta isso. É uma fuga do Batman amigo da lei do seriado dos anos 60, e uma evolução sombria do Batman que Neal Adams vinha reescrevendo anos e anos antes de DK surgir. O Doutor Bartolomew Wolper, o cara que solta o Duas Caras e o Coringa e aparece sempre dizendo como o Batman é uma ameaça e que é o verdadeiro culpado é uma prova disso. Os próprios mutantes, gangues de jovens perdidos, como se fossem de fatos filhos de uma década transviada e influenciável mostram isso, depois virando Filhos do Batman, influenciados pelo mesmo, mas são muitos mais violentos do que o Morcegão... Essas coisas têm um contexto brilhante, eu só tomei mais nota disso quando realmente li essa introdução e reli a história pela, sei lá, vigésima vez. É mais um dos detalhes que engrandecem DK!!!

Depois dessa introdução, aparece aqui uma coluninha escrita por James Olsen, que pelo meu ver, é uma forma de evolução do Jimmy Olsen, que assumiu o lugar de seu mentor, Perry White e foi mais além!!! Nesse texto ele fala sobre um bar secreto em Metrópolis, cheios de figuras de ex-heróis e vilões envelhecidos, chorando as mágoas pelos dias que se passaram, em um bar gerenciado pelo que parece ser um Ajax na pindaíba. Tem até algo que acho ser uma piada a respeito do Hulk, citando que o "proprietário perdeu seu tom verde, passando agora a estar acinzentado" e etc.

Então começa mesmo a HQ. Só citando que as capas foram substituídas por painéis desenhados pelo Miller, que são bacanas, em maioria PB mesmo. AS capas foram minimizadas e colocadas lá nos extras. Sabe, eu não gosto tanto disso, sempre prefiro que as capas fiquem entre as edições, pois elas tem a intenção de transmitir o conteúdo de cada uma, tudo bem que DK é velha pra cacete e praticamente 99,9999% de quem comprou ou vai comprar é macaco velho (pra gastar 70 paus em HQ também, só sendo), e conhece a história de cor, mas anda sim acharia mais bacana... Devem ter seguido com certeza o design oficial, mas enfim, é só pra ter O QUE RECLAMAR que eu to falando isso!

Sobre a tradução, eu diria que mudaram pouca coisa. Não estou em mãos com meu exemplar antigo, que está com uma amiga minha emprestado (desde Dezembro, vê se lê dona Carmella!!! Que é legal!), mas acredito que o que mais mudaram foram algumas expressões que nas primeiras traduções foram perdidas na primeira versão (como por exemplo, na última fala do gibi, Batman manda Robin sentar com postura, na tradução inicial, ele apenas a manda ficar sentada, mas agora substituíram por "costas retas", o que é um tom diferente, eu sempre pensei que ele tava dando uma relaxada para a Carrie, mas agora vejo que ele ainda sim, depois de tudo, está mantendo a linha de durão), e também sendo mais explícitos nos palavrões, que agora tem PORRA, CUZÃO, PUTINHA e etc, que anteriormente haviam sido "amenizados"... Não sei por que, acho que é porque na época a HQ era mais baratinha, crianças poderiam comprar (apesar de, creio eu, ter uma contra indicação), e pra ninguém ficar reclamando que tinha linguagem imprópria e acessível a crianças. O que é, pelo perdão da palavra, uma bosta de uma desculpa. Felizmente, manterem o que eu mais gostava em termos de gírias: FERRO NA BONECA!!! Porra, eu adoro essa cara, vou passar a usar no dia-a-dia! "Eae Tadeu, vamos fazer um churrasco amanhã?", "Claro pai, é FERRO NA BONECA!!!" Uma coisa a se salientar é que refizeram algumas placas e outras coisas que apesar de escritas estão no desenho e em inglês, ficou muito nítida a edição, o que só é um ponto a ressaltar, porque fizeram o básico e necessário, mas ganhariam estrela dourada se tivessem deixado um pouco mais opaco para combinar com o clima mais sujo das cores e traço. Lembro de uma parte, que eu ria na primeira edição, que é quando Batman aparece para os Filhos da Puta, ops, do Batman, e fala para eles não usarem ARMAS, então aparece um quadro dele gritando "NO" no original, que anteriormente, só acrescentaram um pequeno a com tio no MEIO das letras para fazer NÃO! Mas agora arrumaram isso, para um NÃO do mesmo tamanho...

Enfim, a edição é ótima, nessa edição, vou prosseguindo para.. A MERDA...

Quando acaba a edição de DK1, tem uma página em preto. Você sabe o que significa. É o óbito de uma boa história e o renascimento de uma MERDA. É incrível como em um só volume, colocaram uma das MELHORES histórias em quadrinhos já feitas e impressas e depois uma das mais FEDORENTAS E HORRÍVEIS já imaginadas. E que ambas fossem desenvolvidas pelo mesmo criador.

Bom, começa com um texto interessante feito pela Vick Vale (bom, na verdade o Miller através da personagem), sobre o funeral do Bruce e etc. Esse texto é muito bom para ter sido colocado na parte do DK2, por que demonstra bem o valor do Batman e que sua morte acarretou.

Ai começa a merda.

Rapaziada, como posso dizer isso, a não ser como uma merda? Deixe me contar a história. Muitos anos depois de fazer DK, Miller teve o saco enchido para fazer uma seqüência. Um dia ele se encheu, e fez. Mas fez de uma forma tão merdosa, que era pra TODO mundo se arrepender de ter enchido o saco dele.

Os desenhos estão beirando... Sei lá... Meu, sem palavras. Ele fez Cartoon, ele quase fez com aqueles palitos que crianças (e eu) sabem desenhar. Todos os personagens foram traçados simplesmente rápidos e sem o menor amor, é como se o Miller tacasse um "FODA-SE QUERO ACABAR COM ESSA MERDA RÁPIDA" e fez sem o menor cuidado. Na primeira edição a gente vê que há um padrão de 12 quadros por página que são remodelados dependendo das cenas, aqui isso foi pro saco. Parece que ele queria criar um ritmo frenético e meio de internet, porque não tem formatação nenhuma, cada cena aparece um monte de quadro com um monte de filhos da puta falando um monte de merda, pipocando e estragando a coisa toda.

E quanto às cores? Olha, usaram todos os efeitos mais ridículos do photoshop para fazerem essa edição. Isso é sério, parece montagem de fundo de quintal!!! Que cores combinam com o Batman? PORRA, TODAS EM UM CARNAVAL DE EUFORIA!!!

O que me deixa puto é que tem muitas coisas BOAS em termos de idéias aqui.

Depois de vermos o Batman se arrumando com umas pessoas dizendo do nada sobre o mundo estar na merda (E só terem se passado 3 anos desde que os anos 80 acabaram e o mundo virou 2020 Cyberpunk), aparece uma cena que eu acho bem legal, do Eléktron lutando em um mar como que eu pensei serem germes ou bactérias que ele comia para viver, ai então cai o botão dele de alteração de tamanho e ele fica gigante, revelando estar em uma placa de petri com criaturas de microbiologia marinha (preferia os germes mesmo), o que é bem legal...

Carrie Kelley, a Robin virou uma espécie de Pusycat-doll, virando a Moça gato... Que é uma merda. E o salva com seus patins a jato.
Depois aparece o Super, muito mais descaracterizado... Aliás, descaracterização em assa, mesmo para os padrões que o Miller estabeleceu em DK...

Depois vemos que o Presidente dos EUA é uma imagem de computador (o que me lembra Equilibrium... Eu gosto desse filme, enfim), e que o Lex Luthor que está no controle. E meu, Lex Luthor virou uma mistura de Quasímodo com Ephilates. Ele ta deformado cara, meu, que merda sem sentido.

Então os Batboys, alguns filhos de Batman fazendo um esquadrão atacam um laboratório com a Moça Gato para salvar o flash Barry Allen. É legal que o Eléktron usa o efeito entropia para livrar das defesas computadorizadas, é um treco bem louco isso que é difícil de explicar, enfim, o Barry estava em uma roda, correndo sempre para gerar eletricidade para o país todo. O que é, sinceramente, animal. Dá pra ver qual é a jogada? Várias idéias interessantes que são desenvolvidas com desenhos, diálogos e cores horríveis...

Passamos para uma parte em que vemos que quase todos os heróis tinham coisas em poder de Lex Luthor com Brainiac, como reféns: a mulher de Flash, a irmã do Capitão Marvel, e etc.. Até Kandor, com os Kryptonianos. Então sei lá, o que era tema recorrente em outras HQs, sendo que eles poderiam simplesmente LUTAR para salvá-los, como sempre acontece, virou uma espécie de às na manga do Luthor. Tudo bem até aí dá para relevar, faz até um POUCO de sentido... Mas é meio fraco...

Super é ORDENADO então a ir até a caverna e leva uma sova do Morcego e dos novos aliados. Aliás, o super em TODO esse gibi é tratado como se fosse o MAIOR RETARDADO DO MUNDO!!! Isso é até mais desrespeitoso do que as ofensas do Garth Ennis em relação a TODOS OS OUTROS HERÓIS (tendo em vista que ele GOSTA do Super e odeia todo o resto), sendo que em DK, na verdade, o problema é a diferença ideológica de Bats e Sups exaltada até a casa do milhão!

A edição seguinte começa com desenhos MAIS CARICATOS (sim, nem é mais cartoon é caricatura já), de pessoas falando merdas do nada com umas putinhas virtuais disfarçadas de heroínas.

Em seqüência tem uma cena mais ridícula. Batman INVADE a torre de Luthor, surra ele e todas as pessoas que estão lá, fazendo isso facilmente, MUITO FACILMENTE (tudo bem que ele se sente no topo do mundo, mas foi boiada demais, no DK tudo é difícil e dá para ver o esforço atrás disso), e usa uma capa cortante para fazer um Z de ZORRO NA CARA DO LEX LUTHOR!!! PQP! QUE MERDA!!! Ele faz isso com sangue nos olhos, e cara, é tosco demais.

Depois aparece a MM TREPANDO COM O SUPER, porque, sei lá, parece que ela dá pra ele faz tempos e tem uma filha, e eles trepando causam terremotos e o caralho a 4. Eu lembro disso em Miracleman, quero dizer, trepadas de supers, então, aqui tem um contexto mais destrutivo. Com eles sacudindo a terra... É até interessante ver isso, se, sei lá, saem tão fora de contexto, trepando e o resto do mundo se fodendo, quero dizer, isso que você espera das pessoas normais, não de supers...

Então o Luthor manda o Super lidar com isso de novo, mas ai pelo que entendi, eles lançam uns ataques para distrair o Bats, é Brainiac, mas enquanto isso o Bats ta ocupado com outras coisas, ele vai pegar o Homem Borracha.... O Eel O’Brian... E meu, que merda, ele virou um cara psicótico maluco com sede de sangue, chega a ser ridículo. E no meio aparece um cara dizendo ser o Coringa matando uma galera...

Vou acelerar essa bodega.

Os heróis tomam uma sova do Brainiac, ridículo, com um monte de FDP falando um monte de MERDA no meio da ação, totalmente sem sentido e não venham falar que eu não entendi que eu entendi e achei uma merda galopante. Aparece a filha do Super, e no meio da zorra toda que o Brainiac causou, as pessoas ficam loucas e acontece OUTRA coisa bacana que poderia ser melhor aproveitada. Que é o Batman ressurgindo e aproveitando o modismo dos Supers para controlar a galera e conseguir uns aliados.

Volta para a terceira edição. O Lanterna verde recebe uma mensagem, sendo que ele estava transformado em um bicho muito escroto, aliás, ele lembra o Brainiac, que virou uma tartaruga ninja sem casca com aquele Robô Galinha do Robocop. E tipo, sei lá, ele virou um et desses, comeu uma etoa muito feia e tem um etfilho que parece um girino da putaquepariu.

No meio do caos, Super e Lara (a filha dele com a MM), recebem umas ordens do Batman que tinha deixado um treco no super durante a surra. Meu, o super consegue ler DNA e não consegue sentir isso? Enfim, ele manda os dois lutarem com uma ajuda do pessoal dele, só que Luthor aparece e captura o Batman (que estava transmitindo para os dois);

Tem mais umas merdas, merda, merda, merda, coco cagado de passarinho avoado, merda até que aparece o Luthogro surrando o Bats. Enquanto isso o Lanterna se prepara e destrói todos os satélites bélicos que estavam apontando para o planeta e estavam sendo usados como moeda de barganha pelo Luthor.

Ai acontece um treco BEM legal, que voltou a ser abordado em Grandes Astros Superman, que é quando a Lara liberta os Kandorianos com a ajuda do Eléktron, o que é bem legal porque eles começam a ficar com o s poderes dos Super e milhões de Kandorianos destroem o Brainiac. (porque não pensaram nisso antes, pó, até com a super velocidade o super poderia fazer isso).

Então um Thanagariano, filho de Shayera e Carter vem apara vingar os pais mortos por Luthor... O matando...

Ta tudo muito bem, tudo muito legal, quando o cara lá que se intitula o Coringa invade a caverna. E “OH MY GOD”, quem vocês acham que é o Benedito? É a PORRA DO DICK GRAYSON!!! É O ROBIN FILHO DA PUTA!!! Cacete meu, que merda, é uma das seqüências mais coitadas de merdas de toda a história, do Robin bichinha reclamando que o Bat o deixou, e que ele fez um processo químico pra virar imortal... Cacete... QUE MERDA, QUE MERDA! Ai então ele luta com o Batman e o Batman fala um MONTE DE MERDA do Dick, fala que ele é fraquiho, sem tutano sem garra e bla bla bla, sendo que isso não tem NADA A VER com DK, em que ele tem uma desavença com o Dick, mas tem aquele espaço natural entre ambos e ele até fala durante a seqüência do tanque sobre o Dick com saudosismo total...

Ele simplesmente arranca a cabeça do Robin, que cola ela de volta e pula com o Batman para o Magma no fundo da caverna...

E ai o super salva o Bats, pronto acabou, não quero mais resenhar essa ABOMINAÇÃO!!! FILHO DA PUTA!!! FILHO DA PUTA É MUITO MERDA!

Porra, eu nem sei quantas vezes eu falei a palavra MERDA para descrever essa história... Como eu disse tem até idéias legais e uma estrutura que funcionaria, mas foi totalmente de má fé e má vontade que o Miller fez. Sabe, eu acho muito melhor ele não ter feito isso do que fazer só por má vontade... Ou para comprar um apê em NY. Pior que tudo bem, deu para entender o que ele quis e por isso até dá para relevar que é uma crítica e bla bla bla... É um desses gibis que são ruins, mas são históricos, então eu digo que é ruim e tudo mais, mas se você quiser saber mesmo, só lendo e não regurgitando.

Enfim... Vamos aos extras.

Aos extras... De DK um tem um texto do Miller e várias imagens BEM INTERESSANTES, sobre a abordagem dele para o Batman, mostrando várias idéias que ele tinha que depois foram usadas em ano um.

Tem uma galeria de capas... E umas imagens desenhadas pelo Miller para fazerem os Bonecos de DK e DK2, pior que os desenhos pros bonecos de DK2 são melhores que os do gibi. Caraça, se o Miller quiser honrar sua situação, deveria refazer DK2, sei lá, tenho medo dele fazer mais merda... Mas enfim...

Tem mais um texto dele, mas só texto escrito para bolar as idéias. Então imagens das páginas cruas e com arte final.

De DK2 só desenhos.

Bom, tenho que dizer que estou feliz de ter esse encadernado. É um trabalho bem feito, não vi muitos erros (o que me lembro foi uma vez chamarem o Merkel, um braço direito do Gordon que NUNCA aparece de frente ou fora das sombras) como Markel, mas isso é erro de digitação, uma pena ter escapado... Acho que o Oggh poderia ter feito um texto a respeito da edição, e inserido, porque seria bom uma visão editorial a respeito do sucesso que DK sempre foi principalmente essa sendo a quarta ou quinta edição lançada.

Dizendo isso, encerro feliz por ter DK e infeliz por ter lido DENOVO DK2, mas muito mais feliz do que furioso hahahaha! Hasta luego amigos!




Edit: Como escrevi isso ontem e fiquei sabendo de umas coisas hoje, posso dizer que já sei o que rolou com o Gonçalo (o Prático amigo me contou) e também finalizei essa bagaça do Contra 3, coisa que eu nunca tinha feito hahahaha Claro que tive uma ajudinha do save state do emulador!!! É bacana, mas pqp, era foda até no EASY!!! Mas de boa, nada supera Captain Tsubasa, o jogo dos Super Campeões, juro por Deus, é FUTEBOL COM RPG!!! E o PC é tão apelão quanto as do PES!!! Caceta, é isso ai!

segunda-feira, maio 04, 2009

O Cavaleiro das Trevas

- Ou é o Batman ou o Pardalman, equilibrando-se assim em um fio de luz!!!

Olá pessoas! Como bem disse, iria colocar mais algumas coisas que escrevi, só que mais antigas, para manter o blog rodando. Ainda não escrevi nada de novo, mas tenho bastante coisa para ir colocando aqui. Bem, ano passado fomos presenteados com um filme que até agora é um sucesso, que é Dark Knight, o Cavaleiros das Trevas, um filme do Chris Nolan com o Christian Bale como Batman.

Quem lê meu blog (sei lá quantas pessoas, FINALMENTE coloquei aquele treco de contar visitantes então vou tirar uma boa média... ta lá no fundo junto com o buscador, não sei mexer em HTML, vai ficar tosco mesmo por enquanto!!!), deve ter visto minha crítica ao filme de Spirit, e de como o criador de uma história tão boa quanto essa (Frank Miller), iria decair até tal ponto.

Aqui está uma análise que eu fiz para a aula de Teoria da Comunicação alguns anos atrás, ela analisa a persona do Batman construído na obra, bem como um contra ponto com o Coringa (seu arqui-rival) e o super homem (que é uma espécie de antagonista nos meios e significados, apesar de estarem no "mesmo lado" por assim dizer), como é um trabalho acadêmico (apesar de eu ter nem 20 anos quando fiz), coloquei umas imagens para ir aliviando a quantidade de texto inserido (poisé, todo mundo gosta de textos com figuras, principalmente o povo que lê quadrinhos! hehehe).


- Ia Fácil nessa modelo. Ainda mais com eses gibis!!! hehehehe

A Sombra Através do Relâmpago:

Uma análise de Batman - O Cavaleiro das Trevas


- Obra Prima. Sinceramente, obra-prima MESMO!



Criado em 1939 por Bob Kane, Batman é um dos personagens que nascerem a beira da mitologia moderna dos Quadrinhos. Diferente dos outros super-heróis que nasceram nessa época, Batman gera um fascínio maior por parte de sua caracterização, desvinculada dos signos normalmente associados as lendas do mito do herói, traz a nossos olhos uma proximidade maior com nosso “ser humano” interior. Utilizando uma das mais clássicas histórias do personagem “Batman: O Cavaleiro das Trevas” de Frank Miller, tentará ser traçado nesta análise um perfil sobre sua figura heróica, em uma comparação com seu maior inimigo, O Coringa, e outro dos maiores heróis de sua época, o Super-homem.



- Bat Macumba Hei Hei! Bat Macumba Oba!



A Piada Final:

A Sombra da Comédia e da Tragédia


- Oi, sou o Coringa de Dave McKean, de Batman Asilo Arkham, mas queridos, vim aqui prestar uma homenagem ao meu próprio "eu" que tem que lídar com um Morcegão tão divertido! Ele é velho e quase letal! HAHAHAHAHA QUE PIADA HAHAHAHAHA!!!



Em seu gênese, Batman representa com fidelidade parte do ciclo do herói: como uma onda turbulenta, o destino o arremessa para dentro de um ciclo que muda totalmente sua vida. Neste caso, presenciar a morte violenta de seus pais por um ladrão/assassino comum foi um abalo tão violento na psique do pequeno Bruce Wayne, que isso o levou a uma busca para poder se sentir aliviado desta dor. “Numa palavra: a primeira tarefa do herói consiste em retirar-se da cena mundana dos efeitos secundários e iniciar uma jornada pelas regiões causais da psique, onde residem efetivamente as dificuldades, para torná-las claras, erradica-las em favor de si mesmo (isto é, combater demônios infantis de sua cultura local) e penetrar no domínio da experiência e da assimilação, diretas e sem distorções, daquilo que C. G. Jung denominou “imagens arquetípicas”. (...) Os arquétipos a serem descobertos e assimilados são precisamente aqueles que inspiram, nos anais da cultura humana, as imagens básicas dos rituais, da mitologia e das visões.” (Campbell p. 27). A Saída que Batman encontra é lutar contra o crime. Ele então passa a viajar pelo mundo em busca de qualquer um que possa lhe dar algum ensinamento que será de valia em seu combate contra o crime. No aspecto de seu “nascer” heróico, ele consegue se igualar a tantos outros mitos, passando por um período conturbado em sua vida, onde logo lhe é mostrado o caminho o qual seu destino foi traçado. “(...) A criança do destino tem de enfrentar um longo período de obscuridade. Trata-se de uma época de perigo, de impedimento ou desgraça extremos. Ela é jogada para dentro, em suas próprias profundezas, ou para fora, no desconhecido; de ambas as formas, ela toca as trevas inexploradas.” (Campbell, p. 316)


- Sério, se lerem, vão entender a esolha do Jack Nicholson para o primeiro filme do Batman, o do Tim Burton!



As semelhanças com o mito do herói parecem acabar por aí. Em sua busca por um meio de esconder sua identidade, Bruce Wayne se espelha no morcego, criatura que temia em sua infância, para poder levar terror ao coração dos bandidos. Diferente dos outros heróis que agregam um amontoado de valores ditos “positivos”, Batman se mune do mais puro arsenal “negativo”, isso ainda se acentua mais quando comparado com seu arqui-inimigo, o Coringa. Batman representa as sombras, que funcionam como seu habitat natural; o escuro, aonde ele se sente mais confortável e por onde ele age; o medo, que ele usa para poder assustar os bandidos, se tornando uma perfeita lenda urbana; e o morcego, uma criatura notívaga que no imaginário popular esta ligada aos vampiros, a noite e outros aspectos negativos “O negro é, para algumas pessoas, a imagem arquetípica da ‘criatura primitiva e sombria’, portanto uma personificação de certos conteúdos do inconsciente. Talvez seja esta uma das razões por que o negro é, tantas vezes, rejeitado e temido pela gente branca. Nele o homem branco vê, diante de si, a sua contraparte vivo, o seu lado secreto e tenebroso (exatamente o que as pessoas tentam sempre evitar, o que elas ignoram e reprimem).” (Jacobi, Jolande, p. 300). Em contrapartida o Coringa carrega tudo o que é oposto ao Batman: sua face, assim como suas vestes, são brancas, seus trejeitos são alegres, pendendo para uma certa “alegria” cômica, e a maioria de seus armamentos são disfarçados com temas infantis – como bombas em formato de bonecas, ou algodão doce envenenado – demonstrando este aspecto de sua psique. Para ficar mais evidente a dualidade destes dois antagonistas, em Cavaleiro das Trevas, Coringa permanece dez anos em estado catatônico, o mesmo período que o Morcego se mantém recluso de sua vida de vigilante, retornando a si quando este volta a combater o crime. Através de todos estes apontamentos nas características que compõe os dois personagens é possível ressaltar que todos os detalhes que se agregam ao Batman, o “herói”, são voltados para uma simbologia que se desprende a aquela imortalizada no mito do herói tradicional, sendo que, na verdade, estes símbolos heróicos em sua maioria se mostram presentes na compleição do Coringa. Em um olhar mais profundo, é um puro embate entre a tragédia e a comédia. “A tragédia é a destruição das formas e do nosso apego às formas; a comédia, a alegria inexaurível, selvagem e descuidada, da vida invencível. Em conseqüência, tragédia e comédia são termos de um único tema e de uma única experiência mitológicos, que as incluem e que são por elas limitados: a queda e a ascensão (kathodos e anodos), que juntas constituem a totalidade da revelação que é a vida, e que o indivíduo deve conhecer e amar se deseja ser purgado (katharsis = purgatorio) do contágio do pecado (desobediência à vontade divina) e da morte (identificação com forma mortal).” (Campbell, p. 34-35). Batman então se torna um herói mais humano, pois sua luta contra o Coringa pode ser lida como uma singela metáfora do trágico percurso da vida: “O final feliz é desprezado, com justa razão, como uma falsa representação; pois o mundo – tal como o conhecemos e o temos encarado – produz apenas um final: morte, desintegração, desmembramento e crucifixão do nosso coração com a passagem das formas que amamos” (Campbell, p. 32).



- Falar o que? Sério, FALAR O QUE? Quem não gostou da caracterização, não entendeu nada! Tem que voltar pro prezinho e cantar cai cai balão com a tia até aprender direitinho!



Um ponto a se ressaltar na personalidade do Homem-Morcego: ele é um dos poucos heróis a possuírem um ajudante mirim. No caso de Cavaleiro das Trevas, Batman já teve dois ajudantes erguendo a capa de Robin: Dick Grayson, que por certos atritos não fala mais com ele, e Jason Todd, que por alguma razão, fora morto, sendo esse o grande motivo do vigilante ter deixado de atuar. “Gilgamesh tocou o coração de Enkidu, mas ele já não batia; seus olhos também não tornaram a se abrir. Gilgamesh então cobriu o amigo com um véu, como o noivo cobre a noiva. E pôs-se a urrar, a desabafar sua fúria como um leão, como uma leoa cujos filhotes lhe foram roubados. Vagueou em torno da cama, arrancou seus cabelos e os espalhou por toda parte. Arrancou seus magníficos mantos e atirou-os ao chão como se fossem abominações.” (A Epopéia de Gilgamesh, p. 133) É evidente que a dor de um companheiro sentida pelo lendário Gilgamesh, rei de Uruk é análoga à dor de Batman, porém, como Enkidu, Robin não é só um companheiro, mas alguém a quem o protagonista tinha como um irmão de sangue, uma visualização de si mais pura. Quando Carrie Kelley, a nova Robin assume o manto, é de se notar o modo como Batman age a seu respeito: proteção e educação. Esta faceta representa o lado do herói que serve como inspiração as pessoas, mas neste caso, Batman encontra uma alma que estaria tão perdida como a dele quando era pequeno, cuidando para que esta não se torne alguém tão ambíguo como ele. Diferentemente do Coringa, que pouco parece se importar com outras vidas humanas, Batman no fundo é uma personagem que não deseja ver a morte – ou causar – a morte de ninguém, e é nesse ponto que conseguimos detectar quem é o herói. “A batalha entre o herói e o dragão (visto aqui como o Coringa) é a forma mais atuante deste mito e mostra claramente o tema arquetípico do triunfo do ego sobre as tendências regressivas. Para a maioria das pessoas o lado escuro ou negativo de sua personalidade permanece inconsciente. O herói, ao contrário, precisa convencer-se de que a sombra existe e que dela pode retirar a sua força. Deve entrar em acordo com seu poder destrutivo se quiser estar suficientemente preparado para vencer o dragão – isto é, para que o ego triunfe precisa antes subjugar e assimilar a sombra”. (Henderson, p. 120). Apesar de demonstrar uma profunda raiva contra o Coringa, aparentemente desejando a sua morte, ele não consegue o fazer. Torcendo o pescoço do palhaço parcialmente em um túnel do amor – uma metáfora para a relação profunda e conflituosa entre os dois – ele consegue resgatar parte de sua força interna, se contendo no instante em que iria quebrá-lo. Ensandecido, Coringa resmunga algo a respeito da fraqueza de Batman em matá-lo, e torce o restante que faltava para morrer, simbolizando que, no final a tragédia que do morcego não conseguiu vencer a força de sua comédia. “O final feliz do conto de fadas, do mito e da divina comédia do espírito deve ser lido, não como uma contradição, mas como transcendência da tragédia universal do homem. O mundo objetivo permanece o que era; mas, graças a uma mudança de ênfase que se processa no interior do sujeito, é encarado como se tivesse sofrido uma transformação” (Campbell, p. 34)



O Deus e o Homem:

A Sombra da Capa Vermelha


- Round one, FIGHT!



Amo todos Aqueles que são como gotas pesadas caindo uma a uma da nuvem escura que pende sobre os homens: eles anunciam que o relâmpago vem, e vão ao fundo como anunciadores. Vede, eu sou um anunciador do relâmpago, e uma gota pesada da nuvem: mas esse relâmpago se chama o além-do-homem” (Nietzsche, p. 212).


- TOMA NA FUÇA SUPEROMI!!!


Das idéias de Nietzsche, o mito do sobre-humano (ou Übermensch, no original) concebe um homem além-do-homem. Um ser que está acima da humanidade em si, com poderes e conjecturas acima de nossas questões supérfluas. Sintetizados por Jerry Siegel e Joe Shuster, estes conceitos deram origem ao primeiro herói sobre-humano dos quadrinhos: o Super-Homem. Com poderes titânicos, ele mais se aproxima de um deus do que a de um homem.



- "Você deu a eles o poder que deveria ser nosso..."


Sendo o responsável indireto pela criação do Batman, traçar um contraste entre os dois é algo extremamente simples. Diferente do Homem-Morcego, o Super-Homem é carregado de simbologias que correspondem perfeitamente a imagem e ao mito do herói. Seu uniforme representa nitidamente os Estados Unidos, e todos os valores que os Estadunidenses afirmam ter, como a livre iniciativa, a coragem e o poder (em forma de poderio da nação). O simples ato de voar já pode ter uma grande significância: “(...) O Pássaro é, efetivamente, o símbolo mais apropriado da transcendência. Representa o caráter particular de uma intuição que funciona através de um médium, isto é, de um indivíduo capaz de ter conhecimento de acontecimentos distantes – ou de fatos de que conscientemente nada sabe – entrando num estado de transe.” (Henderson, pg 151). Muitas vezes é também assimilado a Águia, por seus poderes, percepção fina e imponência. A luz também se faz presente, com sua ligação com o Sol, que através de seus jovens raios solares amarelos, alimenta o herói com sua força. No Cavaleiro das Trevas isso se torna claro de se ver: em todos os momentos que Clark Kent (identidade civil do Super-Homem) aparece, o cenário se ilumina, se enche de elementos positivos e as soluções para os problemas são rápidas, ao contrário do Batman, que como já é dito acima, sempre está ligado a sombra e a aspectos negativos.



- Batman é Punk Oi, dá botinada na cara do ícone dos americanos! Só faltou uma correnta estilo "Birdie" (do SFZ)



Batman foi criado por culpa do Super-Homem: vendo que este nicho do mercado de HQ’s estava prosperando, eles trataram de criar um outro herói fantasiado, que seguindo o ciclo cosmogônico de Deus/Lenda-humana, deu origem a criação de Bob Kane. “Chegamos ao ponto no quais os mitos da criação passam a ceder lugar à lenda – tal como no Livro do Gênesis, depois da expulsão do Paraíso. A metafísica é substituída pela pré-história, que é vaga e indistinta a princípio, mas aos poucos exibe precisão de detalhes. Os heróis tornam-se cada vez menos fabulosos, até que, nos estágios finais das varias tradições locais, a lenda se abre à luz comum cotidiana no tempo registrado” (Campbell, p. 306). Como o yin-yang budista, ambos não se dão propriamente muito bem, apesar de estarem do mesmo lado, os métodos de um geralmente não são do agrado do outro. Em Cavaleiro das Trevas, essa posição de ambos é acentuada: enquanto Batman defende a ação dos vigilantes, Super-Homem se põe ao lado do governo, que sancionou uma lei que proibira o vigilantismo. Com medo do que os homens poderiam lhe fazer, Kent prefere ficar ao lado deles como um cão de guerra pronto a seguir qualquer ordem do caricaturado presidente Ronald Reagan. Essa noção de submissão ao governo é vista nas poucas cenas que o Super-Homem aparece agindo como arma de destruição em nome do E.U.A: quando está atacando tanques e aviões, sua silhueta é enegrecida, onde somente sua tremulante capa vermelha é ressaltada, como um estandarte simbólico da guerra. “Consumar é o que eu quero: pois uma sombra veio a mim – de todas as coisas o mais silencioso e o mais leve veio um dia a mim! A beleza do além-do-homem veio a mim como sombra. Ai meus irmãos! Que me importam ainda – os deuses!” (Nietzsche, p. 219).


Ao lado da Superpotência Americana, Super-Homem assume uma postura ditatorial, como se forçasse certos valores de si, colocando-os acima da liberdade dos homens defendidas por Batman. “O tirano é soberbo, e aí reside seu triste fado. Ele é soberbo porque pensa ser sua a força de que dispõe; assim sendo, exerce o papel de palhaço, daquele que confunde sombra e substância; seu destino consiste em ser enganado. O herói mitológico, ressurgindo das trevas que constituem a fonte das formas visíveis, traz o conhecimento do segredo do triste destino do tirano. Com um gesto, simples como pressionar um botão, ele aniquila essa impressionante configuração. A façanha do herói é um constante abalar das cristalizações do momento. O ciclo se desenvolve: a mitologia enfoca o ponto de aumento. A transformação e a fluidez, e não o poder teimoso, caracterizam o Deus vivo. A grande figura do momento existe, tão-somente, para ser derrubada, cortada em pedaços e espalhada pelos quatro cantos do mundo. Em suma, o ogro-tirano é o patrono do fato prodigioso; o herói patrocina a vida criativa” (Campbell, p. 324-325). Com uma vasta gama de super-poderes, beirando a invencibilidade, essa imposição “tirânica” dele significa o avanço da figura Americana sobre o resto do mundo. Para contestar o levante do Morcego, que em meio ao Caos que se encontrava Gotham levanta-se para fazer justiça com as próprias mãos, – uma alusão a qualquer outro país que tente se elevar do caos para atingir certa quantidade de ordem – Reagan ordena ao Super-Homem que este de um fim as atitudes “anárquicas/rebeldes” de Batman.


- Superman, bom menino, tome aqui um ossinho... ops, uma medalha...



Para dar um término em seu ciclo do herói, o Homem-Morcego arma um grande plano: derrotar a maior força deste mundo, e morrer de uma forma heróica. “O último ato da biografia do herói é a morte ou partida. Aqui é resumido todo o sentido da vida. Desnecessário diz, o herói não seria herói se a morte lhe suscitasse algum terror; a primeira condição do heroísmo é a reconciliação com o túmulo” (Campbell, p. 339). Durante a luta é possível se perceber outra característica que separa os dois: Batman planeja todas as ações e movimentos minuciosamente, enquanto o Super-Homem e sua arrogância e prepotência a respeito de seus poderes, simplesmente ataca com socos e pontapés, chegando até a errar um golpe. “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas” (Suz Tzu). Super-Homem acreditava que conhecia o interior de Batman, assim como o seu, visto sua crença e seus atos, mas no fim ele traíra a si mesmo e a todos os conceitos que um herói real deveria possuir: ser fonte de inspiração e tentar fazer o melhor para todos, e não para uma facção. “A tarefa do herói, a ser empreendida hoje, não é a mesma do século de Galileu. Onde então havia trevas, hoje há luz; mas é igualmente verdadeiro que, onde havia luz, hoje há trevas. A moderna tarefa do herói deve configurar-se como uma busca destinada a trazer outra vez à luz a Atlântida perdida da alma coordenada. Evidentemente, esse trabalho não pode ser realizado negando-se ou descartando-se aquilo que tem sido alcançado pela revolução moderna; pois o problema não é senão o de tornar o mundo moderno espiritualmente significativo – ou (enunciando esse mesmo principio de forma inversa) o de possibilitar que homens e mulheres alcancem a plena maturidade humana por intermédio das condições da vida contemporânea.” (Campbell, p. 373)


Atordoado com uma flecha de Kryptonita – pedra verde que o enfraquece, como um símbolo da gênese do herói, quando ele ainda era um ser falível, sem ter seus poderes – e surrado por um só homem, Super-Homem sente o jugo por seu desvirtuamento: o Deus padece perante o homem, que seguindo com vigor e virtude, pode vencer até mesmo o sistema que lhe é imposto. Batman então tem um ataque cardíaco e morre, ainda com as mãos marcando o pescoço do super-ser. Porém, a morte foi forjada, mostrando que ainda há uma esperança apesar de tudo. No caminho do herói, mesmo não se valendo dos tradicionais signos que acompanham estes personagens míticos, Batman mostra-se o mais humano de todos, dando uma verdadeira lição no Übermensch de Nietzsche, e reunindo-se com parte da juventude a qual pretende guiar para seguir seus passos, termina sua vida de herói como uma grande morte simbólica, mas ainda sim, mantendo sua lenda para sempre nos anais da história.


O herói moderno, o indivíduo moderno que tem a coragem de atender ao chamado e empreender a busca da morada dessa presença, com a qual todo o nosso destino deve ser sintonizado, não pode – e, na verdade, não deve – esperar que sua comunidade rejeite a degradação gerada pelo orgulho, pelo medo, pela avareza racionalizada e pela incompreensão santificada. ‘Vive’ diz Nietzsche, ‘como se o dia tivesse chegado’. Não é a sociedade que deve orientar e salvar o herói criativo; deve ocorrer precisamente o contrário. Dessa maneira, todos compartilhamos da suprema provação – todos carregamos a cruz do redentor -, não nos momentos brilhantes das grandes vitórias da tribo, mas nos silêncios do nosso próprio desespero” (Campbell, p. 376).


- E Verdade seja dita, ganhei um encadernado do Cavaleiro das Trevas do boletim panini pelo Twitter!!! Legal isso, eu nunca tinha gnaho NADA! A não ser o Mundos Sem Sol do JRP! HAHAHAHA


Bibliografia



- Os Pensadores, Nietzsche, Editora Nova Cultural, 1996, Sobre o Livro: Assim Falou Zaratrustra, Nietzsche, Friedrich


- A Epopéia de Gilgamesh, Texto Anônimo organizado por N. K. Sandars, Editora Martins Fontes, 1992


- O Homem e seus Símbolos,von Franz, M.L.; Jung, Carl G; Henderson, Joseph L.; Jacobi, Jalonde; Jaffé, Aniela, Editora Nova Fronteira, 17ª Impressão


- Herói de mil faces, Campbell, Joseph; O Editora Cultrix/Pensamento – Original: The Hero with a thousand faces, 1949, Princeton University Press


- Sun Tzu, A Arte da Guerra, Editora Record ,24ª Edição, 2001

segunda-feira, abril 13, 2009

Spirit – Ruim, ruim mesmo, pior que bater na mãe

- Vigilante Máscarado... Tá com uma cara de Dançarino de Flamenco...


Bom, novamente vamos começar falando a meu respeito e da obra. Acho importante eu dizer qual é a relação do interlocutor (no caso, eu, eu mesmo e eu de novo), com o objeto de sua locução (O filme/a obra). Não li muitas coisas do Spirit, só umas edições on-line (poucas) e algumas historinhas que tem nos dois livros teóricos do Eisner, “Quadrinhos e Arte Seqüencial” e “Narrativas Gráficas”. Não conheço o personagem por longas e extensas leituras de toda a obra, até gostaria, mas não. Quero ler as obras do Will Eisner e não são lá muito fáceis de achar (pelo menos pra minha pessoa, um cara pobre, sem grana em uma cidade pequena hehehe), e o que vem saindo de recente não me chama a atenção.


Então leiam sabendo disso, tenho um conhecimento escasso, mas mesmo assim é alguma coisa, vou tentar analisar de uma forma mais crítica possível, tentando focar melhor nos detalhes do filme e em algumas coisas que sei do personagem.





Miller e a arte de alterar o prisma



- Meninos e meninas, esse é o Frank Miller da era Image! No aguardo de uma fusão dele com o Liefield e, posteriormente, seu eventual retorno a grandeza.


Segundo passo é falar sobre o Frank Miller. Frank, Frank, Frank... Sim, ele fez tantas HQs fenomenais desde os anos 80 que, sinceramente, ele realmente é uma das maiores mentes dos quadrinhos nos últimos 20 anos. Eu realmente sou fã do cara, o coloco sempre na trindade sacra: Moore, Gaiman e Miller. Com histórias como Ronin, Batman Ano um e Cavaleiro das Trevas, Suas histórias no Demolidor, 300 de Esparta, os trabalhos com Geof Darrow (fenomenais) e etc, com certeza o colocaram nesse patamar... Entretanto tenho que dizer que de uns tempos para cá ele vem decepcionado geral.

Veja bem. Quando lançou DK, uma das obras que redefiniram os quadrinhos, vários fãs pediram por muito e muito e muito tempo uma seqüência. Sinceramente, não sei por que, a obra ta boa do jeito que ta, mas o pessoal sente necessidade de continuações... Enfim, um dia, pensando em comprar um apê novo, Miller aceitou o trabalho de fazer essa tal ... Seqüência...

E rapaziada que não leu... Que merda... Que grande merda... Ele conseguiu cagar em todos os pontos. Os desenhos estavam cartunescos e em cada edição seguinte ficavam mais toscos e obtusos. A Mulher dele coloriu a revista com as cores mais chamativas possíveis e usou todos os efeitos mais toscos do photoshop que conseguiu, as piadinhas eram HORRÍVEIS, os personagens estavam totalmente descaracterizados (porra, ele fez o HOMEM-BORRACHA, o cara que é só piadas, alegria e gozação virar um tipo de assassino elástico rancoroso) e a narrativa totalmente non-sense. A trama até que dava para passar, sobre como Lex virou o presidente e coagia o Super a ajudá-lo no que ele quisesse por manter a cidade engarrafada de Kandor em sua custódia, fazia um certo sentido, mas o resto escrachava com tudo. E o final, sei lá como, nem entendi até hoje (tenho medo até de RELER), aparece o Dick Grayson (Dick viadinho), vestido de Robin, meio vampiresco e o Batman arrancava a cabeça dele... Meu, que horror...




- Essa capa é tudo o que presta de DK2. Eu achei bacanam nas o resto. Meu amigo, se você usasse de papel higiênico iria sujar a bosta...


Enfim, mesmo sendo HORRÍVEL e SOFRÍVEL, muita gente acredita que essa era uma forma de “protesto” do Miller a respeito de que não se deveriam ter “continuações” de certas coisas e como essa pressão “para gerar lucros”, é realmente uma merda que faz a arte ser deixada de lado em favor do lucro fácil. Bom, isso é uma forma de se interpretar, pois o negócio era tão ruim e o Miller é (ou era, sei lá), um escritor tão bom faria uma coisa daquelas? Só QUERENDO ser ruim.

Tudo bem se passaram anos e a próxima empreitada do Miller chega às bancas com All Star Batman and Robin (no Brasil, Grandes Astros Batman e Robin), e, minha, nossa, senhora, de, todos, os, santos (e nem sou católico, só preciso de uma exclamação gigante mesmo), que desastre. O Batman vira um cara viciado DEMAIS, exagera em tudo para sua vingança, é sujo, bate e não ta aí, foda-se tudo, não se barbeia, xinga, é o GODDAMN BATMAN MODAFOCKA! Aparece a liga dos super cuzões, com o Super Punheteiro Mimimi, Menstruada Maravilha e Hal Jordan, o homem com medo! Nunca vi edições mais fedorentas em minha vida, tudo é escrachado, o Robin xinga o Alfred, o Batman ta nem aí, tem mega posters pra lá e pra cá (aliás, acho que a única coisa que valeu foi um mega pôster da Batcaverna com vários Bat-Carangos), e tudo mais... Ou seja, outra BOMBA!

- Você é um retardado ou algo assim? Não sabe quem eu sou? Sou o Maldito Batman... Concordo, cair assim nas mãos do Miller é mesmo ser maldito e amaldiçoado...


Novamente, o povo começou a ver que ele estava fazendo isso de propósito, ou pelo menos pensar que ele está fazendo. Uma espécie de mensagem à respeito de como o exagero constante na “darkonização” dos heróis, principalmente no mais sombrio de todos (sim, acho que ele é o mais sombrio, mas o Batman ainda é um herói, tem muitos personagens que já são sombras e são mais insanos e imersos nas trevas [e ta tudo bem com isso] do que heróis, enquanto o Batman é algo que se mantém sempre acima disso e isso que o torna o herói que é), ficaria uma bosta... Como ficou...

- Meia noite das HQs do "The Authority", praticamente uma versão do Batman que mata, xinga e tortura. Ele pode até fazer isso tudo, é a proposta dele! Mas não a do Batman...


Não quero entrar muito nessa questão, mas é impressão minha ou o Miller ao invés de fazer boas HQs simplesmente não quer mais fazê-las, escrevendo pedaços de lixo zombeteiro que os fãs se masturbam ao alterar seus próprios prismas de visão a respeito da obra? Por que sim, se fosse um Chuck Austen da vida escrevendo, acredito que iriam matar o cara sem pensar duas vezes.

- Chuck Austen. Perigo. Afaste-se. Radiação de péssimas histórias atingindo nível crítico...


Pessoal, sinceramente, essa é minha opinião, tudo bem ele escreve uma HQ ruim para protestar, fazer isso duas vezes já é forçar um pouco a barra, mas a confirmação que ele ta perdendo a mão aparece no filme do Spirit...


Sin City e 300


- 300 e Sin City. Boas Adaptações, eu recomendo!


Uma das maiores obras do Miller com certeza é Sin City. É preto no branco, com uma bela densidade de escrita, a narrativa é muito boa, os detalhes de sombras impecáveis, assim como a estética e estilização que ele coloca. Eu nuca fui muito fã do traço do Miller, mas essas edições estão boas, sem reclamações. Sin City é uma temática muito boa, histórias sobre uma cidade violenta, com pessoas violentas, casos violentos e coisas do tipo. Eu gostei muito e considero muito influente em meus próprios trabalhos. Sin City é uma espécie de Dirty Noir que foi bem adaptado para as telas. Eu digo siso porque acho que é uma das HQs que menos se mexeu na transposição de histórias em quadrinhos para cinema. Veja bem, geralmente, existem algumas mudanças que tem que ser feitas em vista de se aproximar mais a realidade desenhada e imaginada da realidade viável (e filmável), como por exemplo, o Batman usar armadura, faz sentido no mundo real mais do que usar só um colante. Como em Sin City foi transposto diretamente, não há no roteiro, em si, muita dificuldade e nem “o que” ser alterado e funcionou muito bem, criou até uma estética diferente, alternada. Eu diria o mesmo para 300 de Esparta, eu gostei, apesar dos “slow-fast-slow motion”, não acho que isso seja algo para falar que o filme foi ruim, porque é exatamente o que tem na HQ e uma visualização do mítico conto dos 300 homens. (tirando a parte da rainha, que foi uma merda).

Com a divulgação desses dois filmes (e sucesso, creio que ambos fizeram sucesso, se algum foi uma merda, me digam), o Miller conseguiu alguns novos projetos, como Sin City 2 e conseguir filmar, escrevendo e dirigindo o filme do Spirit.


Influências


- Então Frank, depois que eu morrer, se tiver um filme do Spirit, prometa que não deixará fazerem pouco de meu trabalho?
- Claro, claro...
- Veja bem, você sabe qeu tem uma temática noir, mas com humor, não é como aquelas histórias de acrobatas picados por aranhas e homens que sobrevivem a aviões fumegantes...
- Claro, claro... Prometo que não vai ter nada disso. Vai ser tão fiel quanto as negociações de paz feitas por Hitler!




Frank Miller é um cara com diversas influências em seu trabalho. Isso é bem visível, ele, por exemplo, era muito influenciado pelo mangá do Lobo Solitário (Que tem por aqui no blog falando um pouco dele), que você pode ver refletido em Ronin, no Run dele no demolidor (que transformou o demolidor no que é hoje, acreditem!), na Elektra (aliás, acho que ele é o único escritor que escreve a Elektra e faz ela ficar legal, outros fazem ela ficar tão... nhé...) e etc.

Também é possível de notar a influência que o Eisner trouxe. Veja bem, Eisner começou cedo. Nos anos 40, e pouco a pouco veio ganhando a notoriedade e importância nos quadrinhos que, bem, como posso falar, ele é o Orson Wells das HQs, o que Andy Warhol é para a pop arte e o que Tolkien é para a literatura fantástica nos dias de hoje. Ele foi o primeiro, antes de qualquer outro, a tratar a HQ como um meio, simplesmente um meio, sem ser exatamente par acrianças e descerebrados, suas histórias eram simples e diretas, sem medo de tocarem em temas adultos ou contar contos realistas e crus, sem muita firula e, com a maestria que só ele tem, ele fazia isso com a principal ferramenta das histórias em quadrinhos. A narrativa.

A narrativa do Eisner o coloca em um patamar supremo. Ele conseguia contar histórias envolvendo todos os quadros, com uma linguagem superior, criando ambientes maravilhosos e trabalhando com painéis inteiros onde os quadros compõem parte de uma soma inteira. Isso se torna mais evidente na sua obra-mor, Spirit, sobre Denny Colt, um detetive que finge sua morte para poder pegar um grupo de bandidos e passa a agir como o Espírito. É simples, mas é funcional. As histórias eram em preto e branco, usando a narrativa superior de Eisner, tinham um tom investigativo, pastelão, mas divertido, é uma HQ (pelo que eu li), muito divertida de se ler.


O que o filme, não é de se ver.



- Alguns exemplos da narrativa do Eisner, clique para aumentar



Spirit – Antes morto do que reencarnado

- EU COMENTEI O FILME TODO. SIM, ELE INTEIRO, PARA APONTAR POUCO A POUCO AS FALHAS DESSA MERDA. SE VOCÊ JÁ VIU, TUDO BEM, SE NÃO, LEIA POR SUA PRÓPRIA CONTAE RISCO!


Bom, vou começar a falar do filme. Quando eu começo a ver, eu acho que estou vendo um filme do Deadman. Sim, Deadman, ou Desafiador, sobre um acrobata/trapezista (Boston Brand), que é assassinado, mas seu fantasma é energizado pela pseudo-deusa hindu Rama Kushna (não sei se ela existe mesmo no hinduísmo ou se é só uma espécie de Krsna cover), para poder obter justiça e equilibrar a balança cósmica.

- Chuva. Um dos elementos mais presentes nas obras do Eisner, que ele sabia fazer como ninguém. Preciso dizer que não chove no filme, só cai uma nevinha vagabunda?


Enfim, aparece uma mulher rebolando e falando assim, sobre morte e etc. E eu sem entender nada, nunca vi isso nem sequer citado nas HQs, mas li muito pouco, como disse. Depois disso aparece ele no cemitério recebendo uma ligação de alguém, se arruma em uma casa cheia de gatos (acho que ele divide o apê com o Hellboy), e, sinceramente, começa a “surfar” pela cidade.

Meu, é sério, ele pula em uns fios de alta tensão tão grossos quanto o meu braço, mas que parecem uns barbantes, e ele pula como se fosse um tipo de acrobata louco (será que o Miller está fazendo um filme do Desafiador e não do Spirit???), mas caceta, ele pula de altura muito alta e surra uns bandidos que estavam chacoalhando uma moça indefesa. Meus amigos, ele transformou o Spirit em uma Tartaruga Ninja! Sim, o Spirit virou o desafiador e uma tartaruga ninja ao mesmo tempo.

Seguindo, ele pula em um carro de polícia e dá um chega pra lá no motorista. Detalhe, o motorista é o próprio Frank Miller. Assim ele chega a uma espécie de lago onde tem um policial baleado. O policial relata que viu uma mulher (Eva Mendes, tesuda, deveria estar no filme da Mulher-Hulk ao invés dessa bosta), mas quem atirou foi o Octopus (Samuel L Jackson), ai tem uma cena louca em flashback dela vagando em um lago infinito, que em um momento ela conseguia ficar de pé e no outro era mais fundo que sei lá o que, enquanto o Octopus baleia o sujeito pelas costas e continua atirando com balas que vão vários metros pela água até acertar a Eva e mais um gaiato que estavam com uns baús velhos (aliás, os Mythbusters provaram que balas não vão muito fundo na água... só pra ser chato), eles escapam com um baú e o outro, vai pro saco.

Nisso o Octopus pula na água e pega o baú que sobrou e quando volta vê o Spirit no exato momento em que ele chega. Agora, o que acontece, parece que ele mata o cara que estava com o Spirit sem ele ver (ou seja o Frank Miller), arranca a cabeça do Miller e joga no Spirit, então, do nada, ele joga o Spirit em um lamaçal (peraí, não era um lago?), e começa a bater nele com a cabeça do Miller, do nada o Spirit pega uma espécie de chave inglesa gigante e dá na cabeça do Octopus, enquanto isso ao fundo parece que tem uma fábrica pegando fogo e eles estão em um lugar totalmente diferente. É Quanto o Octopus dá uma PRIVADADA no Spirit, sem brincadeira, ele pega uma privada e acerta no Spirit, isso com 20 minutos de filme, eu não to entendendo nada, ninguém falou quem era o Spirit até agora (eu sei, mas e quem não sabe?), do nada eles foram teletransportados, como o Jaspion ia para outro lugar (a pedreira abandonada, “vamos para um lugar seguro, haaaa, outra dimensão”), e agora estão batendo com objetos saídos do cu (claro que do cu Robin, de onde mais?), e ainda por cima ridículos!

- Bendis, Bendis, Samuel L Jackson como Octopus, Cabeça de Flash de máquina fotográfica antiga, Bendis e Scarlett Johansson como Peitos Floss...


Eu queria desligar essa merda logo, mas tinha que assistir tudo para ver direito e poder julgar com mais paciência. É quando vem um gordão bobo (tipo um Brian Michael Bendis mais esperto) e atira várias vezes no Spirit que não morre e o Octopus fica com essa baboseira de “Somos iguais, blábláblá” Que dá a entender que o Spirit é tipo um imortal (okay... tem isso nas HQs? Porque acho que ele não é nenhum Macleod) e vai embora com o gordão.


Mais tarde eu fui perceber que esses gordões são uma espécie de clones burros pra cacete, que tem camisas com palavras como nomes sempre terminados em “os”, que parecem ser o que são, buchas de canhão idiota. É como se o Miller fizesse uma merda mais uma vez para mostrar “olhem, fiz buchas de canhão que pensam e são verdadeiras buchas, olhem pra mim, faço uma merda para criticar os padrões”... Mas enfim, até aí só pelo conceito de ter clones já é estranho, mas não acho que isso seja muito alienígena aos contos do Spirit. Tem até mesmo uma historia que aparece uns aliens e etc.


Enfim, aí percebemos que a Eva era a namoradinha de infância do Spirit, que eles eram meio pobres e ela queria grana. O pai dela era policial e o Denny queria ser um, mas acontece que o tio do Denny (que cuidava dele), se mete em uma briga e acaba matando sem querer o pai da Eva (Sandy Saref), e depois se mata enquanto o cara que causou tudo vai embora. A mini bitch fica brava com a polícia e tudo isso e cai fora da vida do Denny também (engraçado que a moleca é a cara da Eva mesmo). Quando ela volta, dá a entender que ela procura algo que estava no baú que o Octopus ficou e ele com o que ela queria.



- Ebony White, o "parceiro" de Spirit não está presente. Ebony foi muito discutido por ser um esteriotipo perjorativo dos Afro-descendentes, com gradnes lábios e uma linguagem mais pobre, mas essa não foi a intenção do Eisner. Acho que o Miller deve ter transformado o Ebony em Octopus...



Quando o Octopus abre o baú, tem uma cena das mais ridículas EVER que eu já vi. Ele vestido de samurai, com a Scarlett Johansson (gostosa, uma ajudante tetuda e tesuda, mas apática chamada Silken Floss), junto. E quando ele abre e vê que não é o que ele queria, começa a matar os gordos bobos com uns visuais... Meu deus... Um visual tão ruim que parecia ser um clipe do Pato Fu em cromaqui para imitar aquele visual vagabundo de mangá sem profundidade do tipo “opa, Japão, katanas, shurikens, sol nascente, kimonos, iupi que caracterização supimpa”. E em nenhum momento a gente sabe por que diabos ele está vestido assim e quem é ele ou alguma coisa assim...
- Samuel L Jackson Samurai, é esse caceta! AFRO SAMURAI BARBALHO!


Aliás, isso é um dos defeitos do filme. Parece que o Miller queria fazer uma espécie de narrativa não tão linear, onde a gente tem que pensar um pouco, já é jogado na ação, e depois vamos tendo pitacos de dicas de quem eles são e do que eles fazem uma coisa mais Kill Bill, sem dizer muito especificamente as razões. Mas acontece que as cenas são ruins e chatas, as falas são muito toscas e quando vão revelar isso ninguém ta nem mais aí (pelo menos eu) pra quem são e o que fazem. É como se o homem aranha, surgisse no primeiro filme, lutando contra palhaços, batendo por meia hora nos caras com vasos, nunca mostrasse o lance da picada, falasse a respeito de quando ele era criança e os pais dele morreram em um acidente de avião, depois ele lutasse contra clones e descobrisse que a namorada morta dele teve filhos com um rival que nem aparece no filme, e só depois explicassem essa zorra toda!


Bom, daí passa para a Sandy, indo falar com algum negociador de artefatos antigos que deu a dica pra ela, ela chantageia o cara e meio que faz uma chantagem de MORTE com ele, falando para ele se matar, enquanto faz isso vemos que tem um LAPTOP na mesa do cara.

Peraí, putaquepariu, até agora a ambientação mostrava uma cidade escura, policiais meio anos 30-40, com carros velhos, linhas de telefone longe de serem fibras óticas e tudo mais, e agora tem laptops???? Não é ó isso, do nada parece que eles tem tecnologia, mas ao mesmo tempo são totalmente retro, não dá para entender isso. É uma opção estética pelo visto, mas sinceramente é uma bosta. No original até dá para ver algumas coisas científicas, mas é uma espécie de tecnologia que se mescla bem a esse clima noir e retro, ainda mais por se tratar de um noir mais cartunesco, mas no filme isso é totalmente ignorado, e tem celulares blackberry, computadores, helicópteros Black Hawks e o caralho a quatro, sem falar em fotocopiadoras.

Uma hora a Sandy senta em uma fotocopiadora e tira uma Xerox da bunda deliciosa... ahm... Da Bunda dela e deixa lá... E só o Spirit consegue notar isso (óbvio).


Quando sai do hospital a gente vê o casinho dele com a Ellen Dolan filha do comissário Dolan. Sério, o comissário Dolan virou uma espécie de Turpin/Bullock aqui, esbravejando com o Spirit toda a hora, realmente ele era assim nas HQs ou só nas que eu não li?



Enfim, ele sai do hospital, um bandido burro rouba uma mulher e vai na direção dele, já leva um murro, ele pega a bolsa e dá uma entrevista, em menos de um minuto. Ele chega até o lugar que estava Sandy, acha a Xerox do cu dela e vai atrás da garota por aí perguntando pra vários atendentes de hotel se viram aquela bunda. Meu, homem gosta de bunda. Tem umas até fáceis de identificar, dado o nível de cavalice bundal, mas, meu, bunda não é rosto!

Depois desse nível forense indescritivelmente fenomenal, o grande detetive anal descobre a suíte em que está Sandy, conversa com ela em um tipo de momento “Oh, é um flashback moment, eu sei quem você é, mas você não tem idéia de quem eu sou”. E Sandy joga Spirit da janela... Até ele ser salvo por umas gárgulas bem colocadas, usa o ninjitsu espiritual (dá-lhe Naruto, influenciando Frank Miller!), e sai de lá.

Bom, aí vamos pular para uma cena onde a Silken Floss (Johansson) captura o Spirit assim que ele a encontra, simplesmente ele pula em um esgoto, ela chega, dá um beijo nele e enfia uma injeção no pescoço dele. Acho que tem uma lição nisso tudo rapaziada. Se uma gostosa pacas vier andando para cima de você, em um esgoto sujo e fedido (bom, nem tanto no filme), não a beije de olhos fechados promiscuamente sem falar nada, pelo menos cheque-a para ver se ela não tem nenhuma arma escondida ou substância ilícita e desconhecida para por você para dormir.

Agora vem a parte mais esquisita do filme. Ele acorda em um lugar, amarrado em uma cadeira. Ele vê uma decoração nazista e do lado uma espécie de “pia” com instrumentos do lado e exclama “ótimo, dentista e nazista”, isso até que teve certa graça, mas, nazista? Daí aparece uma mina louca dançando meio árabescamente, depois o Octopus e a Silken aparecem vestidos de oficiais nazistas. Okay, qual é a razão disso tudo? Pelo que li (na Wikipédia) o Octopus é uma espécie de mestre dos disfarces, até aí eu entendo, mas porra, ele não tem lógica nenhuma ele se vestir de nazista ou de samurai. Ele poderia se vestir de Índio e de Viking, de Mexicano ou de Israelita, de Alien ou de Robô que faria o mesmo sentido, isso tudo é um grande non-sense que não consegue nem ser resgatado pelo senso estético do Miller. É tudo uma grande piada sarcástica e sem graça. O pior de tudo é que o Octopus NUNCA aparece nos quadrinhos. É como a Bruxa de Blair ou o Tubarão, que o que aparece é mínimo, só para mostrar o grau de impacto que é ovilão para o Spirit. Pior disso tudo é que não há nenhuma grande surpresa quadno o Octopus aparece, mesmo o filme tentando já entrar em um ritmo que mostraria já o Spirit em ação para mais tarde mostrar suas origiens, como se ele estivesse fazendo isso há anos e anos... Depois temos uma cena em que ele revela que “criou” o Spirit, tentando fazer uma poção de imortalidade, ele “testou” no Spirit.


- Gabriel Macht como Spirit... Nhé... Não faz tanta diferença. Aliás, o elenco todo não faz muita diferença. às Mulheres até são boas e tem o "ar sensual" necessário as femme fatale de Spirit, mas como eu disse a obra toda dá discarga nas atuações. Po, o Miller conseguiu fazer o Samuel L Jackson ficar entediante como um palhaço cheio de piadas velhas... Quem dirá do resto do elenco!


Alerta, Alerta, Alerta descaracterização. Bip. Highlanders entre nós. Bip. Isso não faz nem o menor sentido, nem a menor graça, nem nada.

Ou seja, o Spirit, é um cara tipo o Wolverine, que não morre. E o Octopus também. Meu deus, ele virou um mutante. Caceta, ele TEM super-poderes. Pessoal, pelo que eu entendo, o Spirit nunca se tratou à respeito de poderes. Nem ao menos era para el éter uma máscara, era só ser um policial, o Eisner estava falando com o editor sobre a idéia do personagem, que perguntou se ele iria usar máscara e o Eisner falou “ah, usa né”, para poder vender melhor a idéia. Ele finge sua morte, que pelo que entendi, é mais uma coisa “Romeu e Julieta” com algo que para o metabolismo dele e depois ele volta para lutar contra o crime. Ele não morreu, ele não regenera, ele só sobrevive por sorte e acaso e não por super-poderes.

Enfim, depois dessa cena toda, o Octopus fala que vai trocar o que a Sandy tem pelo que ele tem. Aparentemente são objetos místicos (é, agora tem magia na jogada tipo assim, repentinamente tem magia), que é o sangue de Hércules que poderia ser usado pelo Octopus para fazer uma espécie de super-soro da imortalidade pelo Velócino de Ouro de Jasão e os argonautas.

Então simplesmente a louca arabesca é revelada como um ex-caso do Spirit, que o solta. Ela é Plaster de Paris, ou seja ela é uma francesa dançarina árabe com uma peixera que faria muito cabloco amazonense se sentir o boy scout com um canivete de plástico de cortar rocambole, corta as mãos dele e ele chuta o Octopus até ele se foder e ai ambos caem fora. Depois de escaparem, a mina pergunta quem é a tal de Sandy, só para enfiar a faca na barriga do Spirit e sair fora dançando.

Agora tem uma cena... Insana... com o Spirit com um facão atravessado no peito, caindo no mar, dando uns “lero” com a Rama Kushna... Aiai... E aí voltando a vida. Ele descobre, não sei como, onde a Sandy vai se encontrar para trocar os baús com o Octopus.

A Sandy para com um avião do tipo monomotor anos 50 no meio da rua e encontra-se com a Silken Floss que está em um caminhão, aí tem uma daquelas cenas de “todo mundo armado, todo mundo desconfia de todo mundo”, só que a Sandy se fode, porque tem o Octopus e mais Bendis dentro do caminhão. (Sério, foi uma emboscada estupidamente estúpida, a mina é muito burra pra cair em uma dessas). Nessa hora chega o Spirit, enquanto a polícia faz um cerco (sério, os caras estão lá e esperam e o que acontece? Veja a seguir...) O Octopus vai atirando até que atira com dois bacamartes de oito canos e o Spirit cai ao chão. Aí sim entra a polícia, com um pelotão e helicópteros do exército.

Meu o que diabos a polícia estava esperando? O Octopus gastar a munição toda? Porque não adianta muito, já que ele saca duas metrancas e atira feito louco pra meio de lugar nenhum. Hooray! Ele é um gênio atirador, lutador, estrategista, mestre dos disfarces (bom, na verdade não isso, é mais um mestre dos cosplays), que atira feito louco ao invés de pegar o que quer, se esconder e deixar a porra dos carecas se foderem.


E ele faz isso, atirar do nada, e quando pega o vaso ele vai beber o sangue como Kon Di Dá-Cú-Lá tomando em uma coca cola 3l, a Sandy atira e fode com o jarro (também o espertão vai tomar no meio de um tiroteio...), e quando ele vai atirar nela, aparece o Spirit, jogando um colete no chão cheio de buraco de furo (ah ta, ele faz isso AGORA, mesmo descobrindo que é mutuna regenerador safado... sabe isso teria MUITO mais sentido [o lance do colete], se ele não fosse um REGENERADOR...) e sinceramente, ENFIA NO CU do Octopus uma granada e se abraça a ele para “morrer juntinho”, que bonito.


Ai a Sandy usa o Velócino de ouro para se proteger (aliás, o velócino que era tipo um manto de cabra dourado virou praticamente um manto dourado escamado, como se fosse uma brunea ou a pele de um dragão D’Ouro...), o Spirit da explosão. Que aliás, foi bem parecida com a desintegração do Doutor Manhattan no filme do Watchmen, com um brilho, a pele e os órgãos explodindo primeiro e depois os ossos...), aí o filme meio que termina com o Spirit deixando ela ir embora e mostrando que tudo fica no status quo, tirando o Octopus, que só sobra um dedinho que a Silken Floss pega (belo cerco ein polícia????), com o dedo ainda se mexendo!!! Bom, vou dar as...


Considerações Finais


- Minha Cidade Grita. Grita de horror com um filme tão horrível como esse...


Sofrível. Olha, como estava dizendo o que eu mais temia era a estética Sin City voltar a aparecer aqui. Vamos deixar bem claro que SPIRIT não é Sin City. São duas obras diferentes. Então basicamente o que temos é o Miller tentando reprisar um sucesso emulando tudo o que Le fez no anterior. Sério, acho que se falarem para ele “não pode ter um protagonista que fica com monólogos introspectivos, coisas japonesas sem ter anda nitidamente nipônico, ou nazista ou western e sem mulheres fatais”, eu não sei o que ele faria.

- Álvaro de Moya. Pesquisador de Quadrinhos brasileiro, escreveu e organizou SHAZAM! Ótimo livro Teórico. Amigo de Eisner, imagino o que ele diria a respeito desse filme...


Tudo bem, Sin City é bacana, ta aí pra vir o dois, que espero ser bem legal, ainda mais com a primeira aparição do Dwight (em a Dama fatal, que parece ter sido copiado por Femme Fatale, com o Antonio Bandeiras, meio que o controla para fazer o que ela quer) e talvez com a Angelina Jolie como Ava... Mas acho que usar a mesma estética meio problemático e até preguiçoso. Dá para ver que como diretor Frank Miller é limitado e como escritor do roteiro ele foi preguiçoso.


Isso porque os personagens estão descaracterizados, a estética é batida e não bate com o material original, as cenas são tontas, as piadas são sem graça, as cenas de ação são forçadas pra cacete, tem muitos momentos que a gente não consegue entrar em acordo com o que tem na tela... Ou seja, é uma desgraça, a precisar esse filme, nem como pastelão, nem como filme Cult, nem como filme de ação... Você teria que se forçar muito para gostar disso, teria que achar STREET FIGHTER um bom filme (mesmo vendo como comédia, vendo por esse lado é até engraçado), com alterações bem feitas e mantendo o tom do original. Spirit faz com que Watchmen seja uma adaptação e um filme brilhante, sinceramente, se colocar um do lado do outro.

É ruim como adaptação, péssimo como filme e sofrível como piada. Mas é claro, sempre vão ter aqueles que vão achar genial. Se o Miller cagar em um papel higiênico, logo aparece alguém para comprar. Dessa vez, ele cagou no espírito de Will Eisner.

- ESSE, é o que vale.