domingo, abril 26, 2009

Admirável Mundo Novo


Estou com um pouco de preguiça de escrever algo novo, mas vou pegar algo que escrevi faz uns anos, que era uma resenha sobre o livro Admirável Mundo novo. Que, sinceramente é um livro muito bom!!! Talvez estej ameio tosquinho, mas é porque foi feito faz um bom tempo... enfim... habemos...




Sexo, drogas, cinemas sensoriais, clonagem, extinção da personalidade...

Vemos tudo isso em uma obra prima mediúnica da literatura mundial, do renomado autor Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo (Brave New World).

Por que mediúnica? Bem, deixe-me explicar um pouco sobre o livro para lhes surpreender no final deste editorial...


Um Complicado Mundo Novo...



Iniciando o livro, somos levados até um laboratório de clonagem humana, onde estudantes ávidos por informações, questionam e escutam a explicação do Diretor do Centro de Incubação e Condicionamento de Londres.

Ele explica o processo de separação de embriões e as vantagens da manipulação genética, assim como os métodos de condicionamento sócio-cultural da época, onde são criados seres humanos iguais em diferentes “castas”, de Alphas a Ípsilons. Logo encontramos uma das personagens centrais do livro. A “enfermeira” Lenina Crowne, bela, jovem, interessante e “pneumática”, confessa a sua amiga Fanny Crowne que está saindo há seis meses apenas com Henry Foster. Horrorizada, a amiga pergunta o que está acontecendo e recomenda a Lenina ir realizar um tratamento contra paixão, ou até mesmo um tratamento para evitar uma horrível gravidez. Incentivada pela amiga, ela decide sair com outros homens, escolhendo Bernard Marx para ir até as reservas selvagens.

Bernard era um Alpha mais, um humano destinado a ser da elite, mas que, por algum motivo, era menor e mais frágil que os outros Alphas, lembrando um ser de classe subalterna. Bernard se sente diferente do resto das pessoas, por ser desse modo, reclamando a toda hora sobre o sistema de vida do mundo atual. Ele vai ao encontro de seu amigo, Helmholtz Watson, que é justamente o contrário dele, alto, belo e brilhante até mesmo para os padrões dos Alphas mais, ele se sente diferente da sociedade, assim como Marx por justamente ter um excesso de habilidades. Ambos vivem a discutir sobre o mundo atual, enquanto voam em seus veículos voadores (algo como helicópteros) e depois segue até o culto de Ford (Henry Ford, o inventor do Ford-T e do Fordismo), que é visto como um enviado divino, por dar ao mundo uma nova forma de se viver, lá, eles cantam o belo “mantra” denominado “Orgião-Espadão” (Sim, isso é referente a orgia e espada/genital masculina) .

Ao pedir permissão ao diretor do centro, para qual trabalho, Bernard houve uma história deste, quando ele viajou para as reservas selvagens: ele teria ido com uma mulher a muitos anos em passeio, e por acaso, ele teria caído em um local e nunca mais retornado.

Marx voa com Lenina em um foguete até a última área habitada antes da reserva. Lenina queixa-se da precariedade tecnológica do local, e da falta de seu adorado Soma, que seria uma droga alucinógena, gerada artificialmente sem gerar efeitos colaterais ao corpo. Quando eles descem até uma tribo, e observam um ritual religioso local onde um jovem é castigado. Após o evento, eles percebem um jovem diferente dentre todos do local, mais parecido com um inglês do que um índio. Seu nome é John. John os leva até a casa de sua mãe, Linda, que com uma aparência velha e cansada, anseia retornar para a sociedade.

Quando ambos retornam a Londres, ocorre um grande choque. Linda é vista como um monstro, por ter a pele flácida e as circunferências exaltadas, pois naquela sociedade, as pessoas realizavam transfusões de sangue jovem, reposições hormonais e estímulos metabólicos, mantendo-se jovens até o dia da partida, onde são carbonizados e suas substâncias corporais aproveitadas.

Mas, o maior de todos os conflitos se encontra quando John se encontra nesta sociedade. Ele adquiriu na tribo alguns exemplares de Shakespeare e outros autores, sendo um ser altamente elevado em termos de nobreza e pureza de espírito. Ficando amigo de Helmholtz, em algumas discussões filosóficas e poéticas, ele percebe que os seres humanos foram condicionados a não amar, achando ridículo, por exemplo, por sua própria vida em risco para salvar outra em nome do amor, como quando John cita a Watson um trecho de Romeu e Julieta, e esse se põe a rir.
John começa a ficar descontente com a humanidade em geral e seus hábitos. Mas permanece por estar secretamente apaixonado por Lenina, que também sente algo por ele, mas não de uma forma tão pura e bela como dele para com ela. John não consegue captar os porquês de tudo aquilo, se assustando com o cinema sensível, onde ele se senta em uma cadeira especial e coloca os dedos em transmissores que os levam a sentir todas as sensações do filme, que, segundo ele, possuem um péssimo roteiro...

Bem, deixarei de falar sobre o livro agora. Vocês que o leiam e tenham as surpresas que ele guarda...


Um Nada Admirável Mundo Novo



Como vocês podem perceber, a sociedade futurista não é nada agradável. Livros, músicas, jogos etc. São proibidos por lei por incentivarem o pensamento próprio e as emoções. A promiscuidade é incentivada, tanto pela diversão e prazer que oferta, como meio de destruir qualquer futura paixão (antes que me perguntem, NÃO, nada é dito sobre Homossexualismo). As pessoas se drogam com freqüência para fugirem da realidade quando esta não os agrada. A maternidade é tida quase como um crime, um pecado! Ser mãe ou ser pai é algo tão nojento como degustar uma barata viva, talvez mais! Sem falar na mecanização do órgão-social, que é tratado como uma linha de montagem, tal qual a fábrica de Henry Ford.

No centro de incubação, os bebês são gerados e manipulados, para exercerem certas funções pré-determinadas. Por exemplo, os Ípsilons são a ralé da ralé, feios e toscos, servindo apenas para serviços braçais e coisas do gênero, sendo tratados com escória do mundo. Eles são concebidos através de um único óvulo e gerados até o número de 16.000 clones, por divisão embrionária. Na incubadora, eles recebem nutrientes, da mesma forma que como no cordão umbilical, entre outras substâncias controladas que determinam o nível físico e mental que eles terão. Quando nascem, são cuidados por um grupo especial, que condiciona em suas mentes certas ordens durante seus sonhos, como “sou um Ípsilon, sou um ser que serve para trabalhar, não gostaria de ser um alpha ou um beta, eles trabalham mais, sou feliz sendo um Ípsilon, devo obediência às castas superiores...” e por aí vai.

A sociedade como um todo privilegia o que é belo e novo. Eles não reutilizam nada, nem consertam, quando uma camisa fura, eles jogam fora e compram outra. Só para continuar o giro de renda.

Enfim, uma infinidade de coisas que pouco a pouco são notadas em nossa sociedade.
Consegue notar quais são?


Um Admirável Velho Mundo


Porque esse livro é mediúnico?

Bem, simplesmente pela data em que seu autor concebeu toda essa história. Sentem-se. Em 1932! Isso mesmo, toda a tecnologia e formato social saíram da cabeça de Huxley quando esse estava com 38 anos. Podemos dizer que ele tem uma impressão literária tal qual Júlio Verne ou Machado de Assis (leiam o conto, O Espelho para entenderem o por que). Ele anteviu o que poderia ser gerado quando a visão científica começa a dominar a sociedade. Podemos até notar alguns toques que lembrariam Matrix (ou melhor, que Matrix nos faz lembrar de Admirável Mundo Novo.), como a manipulação da sociedade para que essa não sofresse com as dores do mundo, mas que não sintam a realidade e as sensações que mais importam na vida. Os alphas são felizes por serem superiores, os betas felizes por serem melhores que os deltas, até os Ípsilons são felizes em sua inferioridade, mas, mesmo assim, nenhum deles experimentam de sensações que nos vivificam.

Huxley estudou aristocracia em Eton, mas teve que se afastar por causa de um problema nos olhos que poderia o cegar. Isso o impediu de cursar Medicina, mas também livrou a cara dele de ir para a 1ª Chacina... 1ª Guerra Mundial...

Entre outras obras, Aldous Huxley também escreveu A Ilha, O tempo deve parar e Regresso ao Admirável Mundo Novo. Esse é somente um ensaio feito em 59 discutindo sobre os aspectos de AMN, e irei falar em breve, quando achar um exemplar, e se esse for ao ar...


Meus amigos: Não se Deixem Condicionar!!!

3 comentários:

Anônimo disse...

oi Antonio! nossa, muito bom... sempre quis ler esse livro mas hesitei... agora que vou ler mesmo!
obs.: então esses Ípsilons deve ser uma espécie de dalits, não? rss

nossa, o cara nasceu em 32... um visionário! E claro q o Matrix, dentre tantas coisas se baseou no livro também né... adorei demais o texto!
abs

Philosophista disse...

Oi Jéssica, o livro é bom e eu li faz um tempo, mas sei que é fenomenal até hoje!

OS Y tão mais para peões mesmo, não que sejam escurraçados como os Dalids (que nem sei se são tão assim), já que cada indivíduo tem seu lugar na soceidade, não há tanto "conflito" e preocupação em se isso ou aquilo são superior à outra, nem em forma de pária, nem em forma de casta...

Anônimo disse...

entendi.. bom, qdo eu ler darei meu palpite ;)